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Brasileiro de SUP Race: Desafio Kaluanã faz história em Fortaleza
Por SupClub em 04/10/11
Considerada a prova mais casca grossa da história do circuito brasileiro de SUP, Fortaleza exige muita garra e concentração dos competidores.
Cat Sup Race Open Masculino
Cat Sup Race Open Masculino

Competidores da race profissional reunidos. Superação e alto astral marcaram o evento.

Por Redação SUPCLUB.com.br

Kaluanã é uma palavra indígena de origem Tupi que significa “Grande Guerreiro”. O missionário jesuíta José de Anchieta, que percorreu grande parte do Brasil na era colonial catequisando índios, descreveu os Kaluanã como os mais radicais, extremos e destemidos guerreiros indígenas que encontrara. Dizem, que por serem um povo que jamais se rendia, foram exterminados pelos colonizadores portugueses após incansáveis batalhas. Porém, séculos mais tarde, os Kaluanã foram avistados novamente.

Vindos de várias partes do Brasil, se encontraram na praia de Iracema, em Fortaleza, para disputar, armados de remos e pranchas, o “1º Desafio Kaluanã”, terceira etapa do circuito brasileiro de SUP Race. A prova, considerada a mais “extreme” da história do SUP Race brasileiro, exigiu além de muita técnica e preparo físico, preparo mental e muita concentração. Ventos contrários de 20 knots, ondulações e correnteza. Uma prova para verdadeiros guerreiros.

Na SUP Surf, uma amostra do que viria pela frente

As disputas na SUP Surf levantaram as torcidas. Foto: Supclub

As competições começaram no sábado pela manhã após algumas palavras de boas vindas dos organizadores. Amparado pelo Governo do Estado do Ceará, o evento apresentava excelente estrutura, com todo o suporte necessário aos competidores, museu do surfe e impressionou, desde o início, pelo comprometimento das equipes de apoio para com os atletas. O SUP Surf abriu as disputas. Inicialmente a prova, com distância total de 4Km, seria feita em um percurso linear, onde os competidores remariam 2Km contra e 2Km a favor do vento. No entanto, no momento do meeting, antes da largada, os ventos estavam fortíssimos, ultrapassando 20 knots. A direção da prova apresentou aos competidores outra opção de percurso, mais recortado e que não os obrigaria a remar tanto tempo de frente para o vento. Foi aberta votação e os competidores optaram pelo percurso recortado.

Na largada, o cearense Flávio Nunes, que é surfista profissional e estreante em provas de SUP race, conseguiu um sprint sensacional abrindo boa vantagem em relação aos outros competidores, conseguindo rapidamente escapar do “bate remos” e tombos característicos das largadas desse tipo de prova. Acostumado a remar desde cedo enfrentando os fortes ventos de Fortaleza, Flávio, que vem de uma família de pescadores de Icaraí, manteve a liderança durante toda a prova sem ser ameaçado. Sem dúvida um atleta com enorme potencial que se encontrar apoio para participar de provas Race, irá dar muito trabalho.

Flávio Nunes. Foto: Adriano Mello

Mas se a vitória de Flávio não sofreu ameaças, as demais posições foram conquistadas em meio a disputas eletrizantes e forte participação da torcida, que lotou a praia para prestigiar o evento. Luciano Meneghello (SP), Cardoso Junior (CE) e Junior Manteiga (PB), travaram uma disputa eletrizante durante os últimos 2Km, alternando posições a todo momento, levando a torcida à loucura. Na última parte do trajeto, fortes emoções. Luciano, em um sprint final, assumiu a segunda colocação, mas errou a boia de chegada, e teve que voltar alguns metros para contornar a linha de chegada. Junior Mantega, que vinha logo atrás, por muito pouco não assumiu a segunda colocação. Karlyane Bezerra, de Fortaleza, remou com muita garra e foi a vencedora do feminino, seguida por Adriana Mundifort, de Salvador, na segunda colocação e Tamires Oliveira, também de Fortaleza, em terceiro.

Vai começar a prova mais extreme da história do SUP Race brasileiro

Competidores se preparam para as disputas na race. Foto: Supclub

A prova de SUP Surf race foi uma boa amostra do que esperava os competidores. Muitos estavam apreensivos, pois metade do percurso, 6km, seria feita contra o vento, que havia diminuído um pouco, mas continuava muito forte, com cerca de 20 knots de intensidade e rajadas fortíssimas. Nos bastidores, muito se especulava se o líder do circuito, Luiz Guida, conseguiria imprimir o mesmo ritmo que vinha imprimindo nas duas primeiras provas do circuito, ambas disputadas em lagoa e, portanto, sem a presença de ondulações para o donwind, além dos fortes ventos, ondas e correntezas presentes em Fortaleza.

Senhoras e Senhores: Luiz "Animal" Guida. Foto: Adriano Mello

Às 14h30 foi dada a largada e Guida, em um sprint sensacional, assumiu a liderança se distanciando rapidamente dos demais competidores. Todos remaram por um trajeto de cerca de 50 metros, contornando um quebra mar que protegia uma marina, para encarar a primeira metade do percurso com o vento contrário. Foi ai que começaram as primeiras desistências, pois a questão não era somente remar contra o vento forte, havia também muita ondulação contrária. As quedas eram uma constante e muitos perceberam logo no início que não conseguiriam completar a prova dentro do prazo estipulado pela organização. Houve então uma primeira leva de desistências.

Fortes ventos e mar mexido. A primeira etapa do percurso foi uma provação. Foto: Supclub

Enquanto isso, o cearense Alex Araujo assumiria a segunda colocação, seguido por um pelotão de competidores formado por Neno Matos (SP), Magno Matozo (SC), Marcelo Lins (SP) e Gustavo Costa (BA), um pouco mais atrás André Torelly (RS), Rogério Cunha (SP) Claudio Chain (SP), Totó (SP) e Felipe Goettems (RS). Guida seguia na liderança imprimindo um ritmo impressionante. O paulista mostrava que além de força, possuía muita técnica, remando com o corpo curvado em um ângulo de quase 90 graus, para se proteger do vento.

Aos poucos os competidores foram se distanciando uns dos outros. Na segunda metade dos 6Km contra o vento, novas desistências foram surgido. A luta de todos os competidores agora era para alcançar a última boia antes do downwind. Quem resistisse até essa parte iria literalmente do inferno ao paraíso. Muitos, porém, não conseguiram e foram obrigados a abandonar a prova, exaustos. Algumas rajadas de vento eram fortes o suficiente para deter o avanço dos remadores. Some-se, ainda, a correnteza e ondulações...

Neno Matos e Marcelo Lins no downwind. Foto: Supclub

Luiz Guida conseguiu chegar com boa vantagem nessa boia. Sua estratégia ficou clara: chegar com a maior vantagem possível nessa parte, pois outros competidores poderiam ser muito perigosos no downwind. De fato, o cearense Alex Araujo, que vinha na segunda colocação, após contornar a boia, começou a se aproximar de Guida. O paulista, porém, remava com uma boa distância em relação aos demais competidores. Se Guida não sofresse muitas quedas, dificilmente  Alex, mesmo subindo de produção, o alcançaria. E Guida mostrou porque é hoje o homem a ser batido no circuito brasileiro, executando um downwind com poucas quedas para cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, mantendo-se invicto no circuito brasileiro. Alex Araujo foi o segundo colocado. O cearense  mostrou que está em grande forma e evolui a cada prova. Alex sem dúvida já é um dos grandes nomes do SUP Race brasileiro da atualidade. Em terceiro, outra fera dos remos: Magno Matozo. O catarinense que vem da canoa havaiana rema muito e fez provavelmente o melhor downwind da prova.

Destaques da prova

Barbara Brazil, de Salvador BA. Foto: Supclub

Impossível não haver tantos destaques em uma prova como essa, em que a maior conquista foi completá-la . E em meio a tantas adversidades uma guerreia implacável. Única mulher na prova de SUP Race Open, a baiana Barbara Brazil representou o SUP Race feminino com muita garra, e completou prova remando muito bem. Por sua performance, Barbara foi homenageada pelos organizadores da prova. Outro destaque foram os dois competidores de paddleboard que realizaram uma prova demonstração, acompanhando os competidores de SUP race.

Gilson Alecrim, Neno Matos e Rogerio Cunha. Foto: arquivo pessoal

E o que falar de Neno Matos? Um dos maiores nomes do surf brasileiro de todos os tempos, o guarujaense de 51 anos foi o quarto competidor a cruzar a linha de chegada (na geral) levando assim o primeiro lugar da categoria master. Outro veterano, Gilson Alecrim, de Santos, que aos 53 anos rema como um garoto, completou a prova em quarto lugar na categoria master e foi homenageado com um trófeu “grand master” sob muitos aplausos.

Barbara Brazil (primeira à esquerda) e Marco Gorayeb (segundo à direita) são homenageados pelos organizadores: Water Cotez (à esquerda), Ivan Floater (ao centro) e Flavio Ramalho

Mas o maior exemplo de superação veio de Brasília. Marco Antônio Gorayeb competia na categoria unlimited, usando uma 14’8”, e mostrou muita determinação para conseguir encarar os ventos fortíssimos contrários com uma prancha tão grande. Marco remava incansavelmente com o objetivo de alcançar a última boia antes do downwind, onde conseguiria finalmente encontrar as condições ideais para a prancha que usava. Mas sua luta também era contra o tempo. A trinta minutos antes do término do prazo, ele ainda não havia alcançado a boia e, apesar da proximidade, remava com grande dificuldade de locomoção. Nesse momento, a lancha de apoio se aproximou para acompanha-lo. Mais de uma vez foi sugerido a Marco que abandonasse a prova, pois o tempo já era escasso e a noite começou a se aproximar. Marco, no entanto, ignorava aos apelos da lancha para desistir. Em comum acordo com a direção da prova, foi autorizado a Marco pular a última boia para retornar imediatamente no downwind, mas o guerreiro não aceitou a proposta e seguiu firme até a última boia para finalmente fazer o downwind, emocionando a todos na lancha. Por sua determinação, o brasiliense recebeu, juntamente com a baiana Barbara Brazil, uma homenagem especial durante as premiações, sob muitos aplausos. Parece que o “cara lá de cima” também quis premiá-lo por sua superação e Marco recebeu uma prancha zerada de SUP da marca Quebra Coco feita pelo shaper Mauricio Abubakir, oferecida pela organização da prova durante um sorteio entre os competidores.

O Desafio Kaluanã teve Patrocínio do Governo do Estado do Ceará e Secretaria do Esporte do Estado do Ceará; Apoio de Athos, Outburst, SurfTech, Youhou superboards, Art in surf, Convention & visitors bureau, Marina Park Hotel, Power games, Quebra côco, Parafina, Iate clube do Ceará e Organização da ABSUP, ASUP-CE e K1 Sports.

Confira resultados extra oficiais e álbum de fotos dos vencedores

SUP SURF MASCULINO

1º Flávio Nunes

2º Luciano Meneghello

3º Junior Mantega

4º Cardoso Junior

5º Keven Lenox

SUP SURF FEMININO

1º Karlyane Bezerra

2º Adriana Mundford

3º Tamires Oliveira

UNLIMITED

1º Gustavo Costa

2º Marco Antônio Gorayeb

SUP RACE MASTER

1º Neno Matos

2º Claudio Chain

3º Rogério Cunha

4º Gilson Alecrim

5º Pedro Americo

SUP RACE FEMININO

1º Barbara Brazil

SUP RACE MASCULINO OPEN

1º Luiz Carlos "Animal" Guida

2º Alex Araujo

3º Magno Matoso

4º Marcelo Lins

5º Andre Torelly

6º Antonio Carlos "Totó" Bonfá

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