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SUP entrevista: Mario Cavaco
Por Redação SupClub em 30/01/15
Top do SUP race nacional, Marinho Cavaco passa a limpo sua história de vida e carreira em um papo reto com nosso editor.
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Mais maduro e agora contando com apoio técnico, Marinho Cavaco está determinado a fazer, em 2015, o melhor circuito brasileiro de sua carreira. Foto: Luciano Meneghello
 

Em entrevista exclusiva concedida ao editor do SupClub.com.br, Luciano Meneghello, Mario Cavaco, top brasileiro do SUP race, local de Santos (SP), conhecido por sua personalidade forte e carisma, abre o jogo sobre sua carreira, passando a limpo erros e acertos, dificuldades enfrentadas para viver do esporte, popularização do stand up, entre outros assuntos que ele comenta com a mesma força e coragem que o levaram a figurar entre os grandes nomes do esporte.

Por Luciano Meneghello

Em 2014 você teve um ano irregular. Começou bem, assumiu a liderança do circuito no meio do ano e, quando parecia que iria travar um duelo emocionante com o Paulão, aculumou uma série de resultados que não foram extamente ruins, mas inviabilizaram as tuas chances de brigar pelo título. O que aconteceu?

Faltou estratégia. Até o começo de 2014 eu treinava sozinho. Tava "comendo" o remo, treinando feito um louco, acontece que no meio do ano eu comecei a quebrar. Foi ai que o João Renato (CETF) entrou em cena e enxugou meus treinos.  Mas o estrago já tinha sido feito e, na real, ele conseguiu remediar o que poderia ter sido muito pior. Eu sempre fui muito ansioso. Tenho muita vontade mas pouca estratégia. Até nisso os treinos estão me ajudando.

Como foi o seu primeiro contato com o stand up?

Eu já remava de canoa havaiana quando o (remador) Paulo Gatti, juntamente com o pessoal do Yacht Club de São São Paulo, começou a trazer para o Brasil pranchas e remos de SUP. Ele acreditou que eu tinha potencial e começou a botar uma pilha pra eu remar de stand up. Comecei a testar os equipamentos e gostei da brincadeira. O circuito brasileiro já existia e era bem estruturado, com provas o ano inteiro e premiação em dinheiro. Vi então uma oportunidade para tentar viver do esporte e "cai pra dentro" do circuito!

Mas você compete na canoa também certo?

Sim, sim, treino as duas modalidades de remo.

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Em 2014, Marinho (ao fundo) travou um emocionante duelo contra o campeão brasileiro, Paulo dos Reis, chegando a liderar o circuito na metade do ano. Mas, o excesso de cobrança criada por ele próprio, acabou sendo prejudicial e o atleta sofreu uma nítida queda de rendimento. Foto: Luciano Meneghello

E a canoa foi teu primeiro contato com o remo? Como foi?

Foi sim. Meu esporte era o futebol. Eu jogava bem e até planejava uma carreria, porém, sofri um acidente de moto me machuquei bastante. Fiquei um tempão parado. Tive que fazer muita fisioterapia pois a movimentação das minhas pernas ficou comprometida. No final de 2008, após sair de uma sessão da fisio, encontrei com um amigo de infância, o Felipe Alonso, dando aula de canoa havaiana a um grupo de alunos na praia. A gente conversou um pouco e ele me convidou pra fazer uma aula no dia seguinte e eu fui. Me identifiquei pra caramba pois gosto muito dessa coisa de equipe, de competir, treinar e, por não precisar usar muito as pernas, mergulhei de cabeça na canoagem e não parei mais.

Como é a sua rotina de treinos?

Eu já bati muito a cabeça. Treinei muito sozinho, sem estrutura, sem informação, sem um profissional do lado me orientando. Foi complicado. Hoje, graças a Deus conto com uma estrutura melhor e desde o meio do ano passado tem um profissional da área, o João Renato, da CTEF,  me passando o treinamento e acompanhando minha evolução. Isso tem me ajudado bastante e me ajuda, iclusive, a trabalhar com estratégias e metas.

E quantas vezes por semana você treina?

Meus treinos são diários. Quer dizer, tiro um dia da semana pra descançar, mas normalmente nesse dia eu e a Andressa (Saboya), minha namorada, saimos pra remar de OC2 (canoa para duas pessoas). Então eu acabo remando todos os dias!

Posso concluir que você realmente gosta da "brincadeira"…

Eu já me perguntei se realmente gostava do mar, da canoagem e do SUP… e cheguei à conclusão de que eu gosto muito de remar, idependente do equipamento. Num momento bem complicado da minha vida descobri o remo e me apaixonei. Hoje, vou remar na lagoa, na corredeira, no mar, de canoa, SUP ou rafting. Gosto do remo.

Hoje em dia teu foco está voltado pra que modalidade?

Hoje meu foco é o stand up, mas faço algumas provas de V'AA (canoagem polinésia - havaiana e taitiana) também.

Quais são seus títulos mais significativos na V'AA?

Fui vice campeão da Volta a Ilha de Santo Amaro de OC1, vice campeão mundial pela equipe SAMU na V12, vice campeão brasileiro de V1. Tudo vice! (risos)

Não é pouca coisa…

Não é pra você, que rema, acompanha de perto as competições e sabe que o nível dos competidores é alto, mas, para a maiora dos patrocinadores só interessa o primeiro lugar. Infelizmente.

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Treinando no "quintal" de sua casa, Santos. Foto: Herbert Passos Neto

Você consegue viver só do esporte?

Somente como atleta, não, mas já foi bem pior. Até alguns anos atrás eu trabalhava de motoboy pra conseguir bancar os equipamentos e minhas viagens. Morria de medo de cair de moto, me machucar e passar por tudo aquilo de novo. Só que minha vontade de viver do SUP, da canoagem era maior. Quando os resultados começaram a aparecer, consegui alguns patrocínios e pelos resultados na canoagem, consegui o bolsa atleta. Depois surgiu a possiblidade de dar aulas. Mas eu quase desisti. Era horrível ter que competir e depender do dinheiro da premiação. Isso me gerava uma ansiedade enorme. Muito nervosismo. As pessoas me viam pilhado nas competições e nem imaginavam o perrengue que eu tava passando. A pressão. Atrapalhava pra caramba minha concentração. Mas felizmente quando parecia que não ia dar, boas pessoas foram surgindo no meu caminho e me ajudaram como a Andressa, o Marcelo Lins, o Rogerio Melo, o Vinicius Martins, o Paulo Gatti, o Carlo Caruso, entre outros que peço desculpas por não me lembrar dos nomes agora.

Hoje quem são seus patrocinadores?

Hoje o Marinho Cavaco é 100% Kialoa. Eles me fornecem equipamentos de primeira qualidade e custeiam todas as minhas despesas nas competições. E na parte da preparação física eu conto com o apoio do João Renato, através da CTEF, que tá somando "200%"!

Como era esperado, está havendo um explosão de eventos de SUP no verão, o que é muito bom para atrair a atenção das pessoas para o mundo do stand up, mas nem todos englobam a categoria profissional ou tem alguma ligação com entidades que regem oficialmente o esporte. Qual é a sua visão em relação a isso?

Olha, eu acho que esses eventos são importantes para as marcas, fabricantes de prancha porque movimentam o mercado. Mas, por outro lado, eu, como atleta profissional, não vejo vantagem nenhuma se fazem um monte de evento amador. Pelo contrário, acho que até me prejudica porque aparece um monte de "fulaninho" que ganha esses eventos e sai por ai dizendo que é o "campeão do stand up" (risos). Ai, a gente que é profissional, treina pra caramba, tenta viver do esporte, viaja e representa o país lá fora nas competições, acaba sendo um pouco prejudicado pois tem empresário que prefere apoiar o "fulaninho" do que um atleta profissional…

Eu sempre falo que existe uma grande diferença entre crescimento e profissionalização do esporte…

Exato! Claro que é bom que existam mais e mais eventos de stand up, mas quem leva o esporte mais a sério não pode ser deixado de lado, senão o SUP vai acabar virando mais uma febre passageira.

Em 2015 você vai para o seu terceiro ano de circuito brasileiro. O  Mario Cavaco de hoje é o mesmo de 2013?

Eu amadureci bastante. Sempre me cobrei muito, desde a época da canoa. Sou muito competitivo e gosto de ganhar, mas estou aprendendo a trabalhar essa vontade a meu favor. Ano passado, como a gente conversou antes, eu coloquei muita pressão em mim, queria muito ser campeão brasileiro e comecei o ano com tudo, mas, não soube dosar essa vontade, extrapolei nos treinos e acabei quebrando. Esse ano vou para o circuito brasileiro mais amadurecido, com mais calma e mais estratégia. Foi o que faltou nos dois primeiros anos: estratégia. To bem, to forte, e acredito que ainda não cheguei no meu auge, acho que ainda tenho muito para melhorar e a galera tá evolunido muito também.

Para saber mais sobre o atleta visite marinhocavaco.wix.com/marinhocavaco / Instagram: @cavacosup / Facebook: Marinho Cavaco

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