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Papo Reto
Michel de Carli Ferreira
Por Redação SupClub em 29/05/19
Preparação física e periodização de treino em Canoa Havaiana.
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Michel em ação: Divulgação.

 

Para saber mais sobre como funciona os treinamentos de atletas amadores, entrevistamos o Prof Michel de Caxias do Sul\RS.

 

Atleta de canoagem velocidade desde 12 anos

Campeão brasileiro, Sul Americano e Pan Americano na canoagem velocidade

3º lugar brasileiro de VA'A com a equipe SP VA'A

Árbitro de canoagem nos Jogos Olímpicos do Rio 2016

Treinador de kayak, VA'A e SUP da equipe SUP CAXIAS da ACEN (Associação Caxiense de Esportes Náuticos)

Temos visto e acompanhado o crescimento exponencial da canoa havaiana no Brasil e no mundo, com campeonatos bem organizados e com muitas equipes.

FABIANO BARTMANN: Na sua opinião, qual foi o motivo desse crescimento de forma tão rápida?

MICHEL DE CARLI FERREIRA: Acredito que tenha sido pelo tamanho da costa no Brasil, com uma área de litoral muito grande.

Mais pela facilidade de entrar e sair remando, seja ela OC1, OC2 e OC6 ou V1, V2, e V3 e lógico, que a linha V é mais difícil.

E a OC é muito mais fácil de remar, mesmo tendo 30, 40 ou 50 anos, não tenha tido experiência esportiva ou tenha remado embarcação alguma, na 1º aula consegue sair e fazer alguns quilômetros e uma remada boa.

Outro fator, principalmente falando em OC6, é em equipes. Como a mobilização de equipes é muito forte, isso incentiva o desenvolvimento e crescimento dela.

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A canoa havaiana é um dos esportes que mais cresce no mundo. Foto: Fabio Mota

 

Existe também uma mística, uma mitologia por trás da canoa. Quando ela é adquirida é batizada, um ritual havaiano de batismo, que atrai e mantém o pessoal nesse mundo

Acho que são esses fatores que levou ao crescimento tão grande nos últimos anos.

FABIANO BARTMANN:  O que difere o interesse da canoa havaiana com outros esportes de remo, que são mais antigos e olímpicos?

MICHEL DE CARLI FERREIRA:  Temos de esporte a remo: remo, propriamente dito, a canoagem, com inúmeras modalidades e o SUP.

O remo, é um esporte tradicional, porém não tem evolução, é o mesmo remo desde 1900 – 1936, as embarcações lógico, teve evolução de produção. A prova é a mesma e o formato também, não houve evolução da mídia e do interesse do público, no meu ponto de vista

A canoagem, por outro lado tem muitas modalidades: a de velocidade, em águas paradas e slalom, que é descida de corredeiras e passa por balisas, que são modalidades olímpicas.

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Praticantes de Remo em Vitória, meados de 1948 Foto: Divulgação.

 

Temos ainda canoagem de descida, embarcações oceânicas, o surfski, a canoagem tradicional, do interior do país, mais larga e de passeio, freestyle e canoagem de onda.

São diversas modalidades que conseguem atingir diversos públicos, porém, no Brasil não tem a tradição forte de clubes, alguma coisa que mantém as pessoas remando. E também, é um esporte novo, com Confederações sendo fundadas em 1989 ou meados da década de 80. Também não se criou a popularização do esporte.

A canoa havaiana, conseguiu se tornar um pouco mais tradicional, a base delas é de pessoas de idade mais avançada, trabalha, tem a sua renda, consegue comprar e adquirir o seu equipamento, ter o seu material, se manter no esporte sem incentivo de clubes, patrocínio privado e público, com eventos bem montados e com uma visão de popularização. Uma coisa que a canoagem não conseguiu desenvolver, ela tem o foco no desenvolvimento de atleta, pegando praticantes de 8 a 10 anos e quando muito tem um nível de rendimento e tem como se sustentar, ficam até 30 anos no máximo 35 anos.

Essa população fica sem uma renda para se manter, precisam de um suporte e ficam dependendo da Confederação, dentro do que ela desenhou e vejo isso como um erro. A Confederação fica muito dependente dos projetos sociais e de verba pública, não conseguiu massificar a canoagem como um todo e a canoa havaiana como falei antes, agregou a população como um todo. Os pais estão participando e praticando e consequentemente daqui alguns anos, vamos ter uma equipe mais jovens. Com os filhos desses pais, começando no esporte e tomando gosto pela canoa e quem sabe, a canoagem vai junto, principalmente aqui no RS. Queremos levar a canoagem como um todo e inclusive a canoa havaiana.

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Stand Up Paddle teve seu "boom" no começo do ano 2000 e vem voltando com força devido ao trabalho de federações e da Confederação Brasileira Foto: Divulgação.

 

FABIANO BARTMANN:  A maioria dos atletas são amadores, fazem por diversão. Como tu monta o treino e a preparação física? Faz periodização de treino?

 

MICHEL DE CARLI FERREIRA:  Levando em consideração que essa população, treinam no máximo 4x vezes na semana. Como são atletas amadores e na minha realidade quando muito remam 3x, sim existe uma ideia de macrociclo e com competições, sigo sim uma periodização necessária para ter uma evolução.

Mas tenho alunos que remam 1x ou 2x vez por semana, tem dificuldade de fazer outro esporte ou outra atividade durante a semana. Muito depende do objetivo do aluno, óbvio, se formos falar de atleta, que reme 2x ou 3x semana, ele quer um desempenho e vou periodizar focando o máximo nessas condições.

Claro vai ter o treino intervalado, um pouco mais longo, treino de tiro, específico de prova, aonde estamos, distância da próxima prova e o objetivo do aluno.

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Atletas da categoria C2 que já trouxeram muitas conquistas para o remo Brasileiro Foto: Divulgação.

 

FABIANO BARTMANN:  Gostaria que falasse como está a Federação Gaúcha de Canoa Havaiana?

 

MICHEL DE CARLI FERREIRA: Uma correção, o nome certo é Federação Gaúcha de Canoagem, não existe uma Federação Gaúcha de VA’A. Ao contrário que aconteceu no âmbito nacional, que a Va’a pediu a emancipação da Federação Brasileira de Canoagem para fundar a CBVA’A. Aqui no Estado do RS, não vimos essa necessidade de se separar e inclusive continuo não vendo necessidade de separar a Federação Gaúcha de Canoagem e fundar uma nova Federação.

As pessoas envolvidas com as modalidades de seleção são as mesmas, as dificuldades basicamente as mesmas, os eventos são basicamente os mesmos, isso geraria uma burocracia maior ainda para desenvolver as modalidades e os esportes. Temos a Va’a dentro da canoagem e é assim que vemos aqui no Estado, então caminhamos mais com essa linha. Estamos buscando junto com a CBVA’A, que a Federação Gaúcha seja filiada, estamos ainda em processo em conversa. Como a CBVA’A ainda está em desenvolvimento, em estruturação, para que consigamos organizar eventos nacionais homologados pela CBVA’A.

Atualmente, tem na diretoria Eu, Jonatan Maia, Hans Mallmann, Marcos Kayser e dentro da diretoria fundamos o comitê canoagem oceânica, que a VA’A se encontra dentro junto com o surfski e outras embarcações. Dentro desse comitê está eu, o Givago Ribeiro e Glauco Schultz, aonde discutimos sobre os eventos, o formato de prova, os locais e montamos o calendário da canoagem oceânica e VA’A. Esse ano temos um calendário bem extenso: 2 etapas em Porto Alegre, 1 em Estrela, 1 em Lajeado e 1 em Santa Maria.

No ano passado foi apenas 1 edição e bem simples, em Porto Alegre. Então é isso.

Fabiano Bartmann

Fisioterapeuta – CREFITO 5 / 50266-F

Profissional de Educação Física – CREF 9768-G/RS

Mestre em Biociências e Reabilitação

Especialista em Acupuntura

Professor da Faculdade Sogipa

Bicampeão Gaúcho de SUP Race Master - 2017 e 2018

Membro da equipe Rabbit de SUP

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