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Competições de SUP
Fun Race em questão
Por Alzair Russo em 28/08/17
Shaper e competidor, Alzair Russo resgata a história da Fun Race no Brasil e propõe medidas para fortalecer a primeira modalidade de SUP que existiu. Confira.
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Para Alzair Russo, é preciso resgatar a essência da Fun Race, cujo foco está em atrair mais pessoas para as competições e não exatamente na performance do equipamento. Foto: Reprodução.

 

Meu primeiro contato com o stand up paddle foi em 2006 e, como acontece com a maioria, minha primeira prancha foi um Fun Race. Nem preciso dizer que foi amor à primeira vista e, como shaper, passei a pesquisar e produzir esses equipamentos.

 

Na época, muito pouco se sabia e as pranchas race ainda eram pouco usadas. As competições eram realizadas em pranchas Fun, chamadas de “SUP Surf” porque basicamente usávamos as mesmas pra surfar. Por isso, os tamanhos giravam em torno de oito a dez pés no máximo.

 

Veio o “boom” e o SUP se popularizou. Com isso, mais gente passou a se dedicar à pesquisa e produção de pranchas e equipamentos. As competições também cresceram e, com a chegada da Race 12’6”, teve início a uma corrida pela performance que, no meu ponto de vista, acabou ultrapassando um pouco os limites do bom senso nas chamadas categorias amadoras.

 

A Race 12’6”, onde os competidores usam pranchas desenvolvidas para remada em alta performance, com detalhes e dimensões pensados na hidrodinâmica, e que, por isso mesmo, demanda mais habilidade e conhecimento do remador, naturalmente se firmou como a categoria da Elite. Dessa forma, para que o esporte seguisse crescendo e atraindo novos adeptos, houve uma necessidade de se manter uma categoria que incentivasse a entrada de remadores amadores e iniciantes no mundo das competições. O caminho natural foi, portanto, destinar esses atletas à categoria que até então era conhecida como “SUP Surf”.

 

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O autor do texto Alzair Russo (à dir) e o competidor catarinense Gentil Foletto seguram uma Fun Race "clássica": tamanho, largura e fundo realistas e de acordo com o espírito da categoria. Foto: Reprodução.

 

Nesse momento houve, a meu ver, o início de um processo de descaracterização da categoria. Primeiro, a mudança de nome para “Fun Race” que já rompia com as raízes desse modelo de prancha que é híbrido, ou seja, serve tanto para remar quanto para surfar.

 

Em seguida, outra mudança que a meu ver não foi benéfica: aumentaram o limite do tamanho das pranchas para 12’2”! A consequência dessas mudanças não demorou muito a ser notada. Surgiram os “competidores profissionais de Fun Race” e o que se viu foi uma série de pranchas supostamente “Fun”, mas que, na verdade são “Races disfarçadas”, com fundos, bordas, bicos, entre outras características que muito pouco lembram as originais híbridas.

 

Existe uma padronização exigida nas competições, que é uma tentativa de coibir essa descaracterização, mas, na prática, o que vejo é muita “race disfarçada” em provas de Fun Race e reconheço que é muito difícil fiscalizar.

 

Pensando nesses remadores “profissionais” de Fun Race, criou-se então a categoria Race Amadora, para pranchas race 12’6”, com o objetivo de incentivar aquele remador que tomou gosto pela competição. Essa categoria foi no meu ponto de vista um avanço. Porém, precisamos repensar outras maneiras de valorizar a Fun Race e olhar com mais atenção essa categoria, pois ela está encolhendo.

 

Repare que antigamente essa era a categoria que mais reunia competidores nas provas de SUP e hoje há cada vez menos gente competindo.

 

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O gráfico mostra a evolução negativa do número de inscritos em competições do circuito brasileiro entre 2014 e 2016. Fatores como a inclusão da categoria Race Amador certamente tem influência, porém, isso não basta para justificar uma queda tão abrupta no número de inscritos em uma categoria que, em tese, deveria servir como porta de entrada para o universo das competições Foto: Reprodução.

 

Eu tenho um palpite: imagine que você vai comprar sua primeira prancha de SUP. Será que ela vai ser maior do que dez pés? Creio que não! Em minha experiência aqui na fábrica, a maioria das pessoas que faz seu primeiro SUP opta por tamanhos entre nove e dez pés. Agora, imagine que essa pessoa se anima para competir em uma prova pela primeira vez e chega na raia e se depara com essas pranchas 12’2” que mais parecem pranchas race.

 

É claro que ela não terá a menor chance de conseguir um pódio e talvez esteja ai o motivo da gente ver uma das categorias mais bacanas e que foi a primeira de todas a reunir cada vez menos gente em competições.

 

Peço a todos uma reflexão: será que não é a hora de resgatarmos a categoria SUP Surf 10’6” até como uma forma de trazer de volta às competições novos remadores? Pessoas que saibam que irão competir em uma categoria onde, apesar da pouca experiência, sabem que terão chance de pódio? Não estaria ai a saída para aumentar o número de inscritos nas provas de SUP?

 

* Alzair Russo é competidor e shaper pioneiro. Hoje ele produz as pranchas da Seapoxy.

 

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