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SUP Entrevista
Ele é o cara!
Por Luciano Meneghello em 01/07/16
Nosso editor bate um papo com Jorge Mario Lino Villas Boas, o competidor mais carismático do SUP brasileiro. Confira a entrevista.
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É praticamente impossível não se deixar contagiar pelo alto astral de "Mario Lindo" durante as competições. Foto: Luciano Meneghello .

 

Nos seis anos em que trabalho cobrindo o circuito brasileiro e as principais competições nacionais de SUP, tem um atleta que sempre me chama a atenção. Ganhando, perdendo, fazendo pódio, não fazendo pódio, abandonando a prova, efim, já vi o baiano Jorge Mario Lino Villas Boas terminar provas de race nas mais variadas condições, mas a sua alegria a alto astral ao cruzar a linha de chegada são sempre as mesmas.

Educado, ele nunca me cobrou mais espaço no site, mas eu sempre falo: “’Mario Lindo’, vou fazer uma matéria contigo!”, mas nunca cumpro com o prometido. Hoje chegou a hora de reparar essa injustiça!

Meu Rei, pra mim você é um garoto, mas me fala a sua idade...

58 anos.

Como foi seu primeiro contato com o SUP?

Em 2010, meu irmão Alfredo Villas Boas, que mora em Maui, no Havaí, trouxe uma prancha 10’6”. Fiquei curioso e experimentei. Ali foi amor à primeira remada!

Como era a sua vida antes de começar a remar de SUP?

Lu, minha vida antes foi de surf desde os 15 anos, mas dei um tempo quando casei e tive a glória de ter um filho maravilhoso que amo muito. Nessa época, iniciei uma nova atividade de trabalho onde tive a oportunidade de estudar e me formar em Geologia. Conciliar trabalho, estudo e família tomava praticamente todo meu tempo e o surf ficou para de vez enquanto. Mas jogava bola toda sexta e quarta e disputava o campeonato no fim de semana na UFBA, mas acabei lesionando o joelho e tive que fazer uma cirurgia. Parei de jogar bola e o surf continuou bem devagar. Fui ficando meio sedentário, abusando da cervejinha, festas durante o final de semana, às vezes até na semana. Meu irmão percebeu que eu precisava voltar ter uma vida mais ligada ao esporte e me incentivou bastante a voltar a ter uma rotina com mais qualidade de vida. Foi quando o SUP entrou nesse processo. Eu curti logo no início e era bom porque cada um pode fazer no seu ritmo. Acabei virando um atleta e mudando totalmente minha rotina e meus hábitos.

O que mudou pra você depois que começou a remar?

Mudou muita coisa! Ainda mais quando teve uma prova de sprint como recreação no lançamento de uma loja na Praia do Forte, em Salvador, quando eu vi nas fotos que o único barrigudo ali era eu. Ai a ficha caiu (risos).  Eu com 87 quilos, barrigudo, disse pra mim mesmo: “Esse corpo não lhe pertence mais”.  Comecei a remar quase todos os dias da semana. Remava de SUP pra ir trabalhar na fiscalização de obras em uma ilha a 8 km de salvador.

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Entre de seus "adversários" na Super Master, Ivan Mundim (à dir.) e Claudio Huka (à esq.), com o Master Mauricio Thompson (à esq.) completando a foto. Foto: Fabio Mota.

 

Como foi seu primeiro contato com as competições?

Em 2011 meu irmão trouxe outra prancha do Havaí. Nessa época, participei de uma travessia onde tive a felicidade de ser sorteado com um bloco de SUP. Ai fiquei empolgado!  Coloquei a prancha e o bloco pra vender e fiz uma Race. Aqui na Bahia havia outros atletas competindo provas regionais que me incentivaram a competir nas provas do Brasileiro, que estava em seu primeiro ano de circuito. Com isso viajei ao Ceará, em novembro de 2011, pra fazer minha primeira prova do circuito brasileiro. Tinha colocado a prancha nova só três vezes na água. Estava dando os primeiros passos no esporte e essa prova é até hoje considerada uma das mais duras da história do race nacional, por causa dos fortes ventos e correntes no mar de Fortaleza. Não consegui completar a prova. Na hora fiquei um pouco triste, pois era minha primeira experiência em um Brasileiro, mas, quando cheguei à areia, vi que vários atletas também haviam desistido. A partir daí mudei a forma de treinar. Investi em equipamentos novos, sempre com ajuda de meu irmão, Alfredo Villas Boas, e os resultados começaram a acontecer: fui campeão do baiano 2012 / 2013 na Master e vice-campeão em 2014. No Brasileiro fui vice-campeão 2012 /2013 na categoria Super Master e, desde 2012, estou entre os três melhores do Brasil na minha categoria.

Sigo com toda dedicação e foco e tenho o acompanhamento técnico do CTS, de Bruno Pitanga, e sou incentivado pelos amigos baianos sempre antes e durante os treinos.  Hoje estou entre os 25 melhores do Brasil no ranking geral, mas desafiando a mim mesmo.

As provas técnicas da CBSUP esse ano, descendo grandes ondas em Floripa, Ubatuba, Ibiraquera, competindo entre os profissionais, são desafiadoras. Você tem que estar treinado para estar ali. E a minha categoria cresce a cada dia! Hoje a Super Master tem vários atletas de ponta como Huka e o Ivan Mundim, por exemplo, atletas com mais de 50 anos competindo em alto nível. E você pode reparar na nossa alegria. Estamos ali competindo e curtindo bastante e fazendo novas amizades.

O que você acha desse novo formato das provas do circuito brasileiro, com provas técnicas em meio às ondas?

Acho maravilhoso esse formato. Você tem que ser completo. E surfar de race é emocionante. Um desafio a cada onda. Você tem que ter garra pra encarar o mar com ondas grandes. Nessas condições, os resultados gerais da prova podem mudar bastante e aumentam as chances de chegar ao lugar mais alto do pódio. Nas provas com onda, estratégia, habilidade e coragem contam tanto quanto a força física. Além de manter os atletas brasileiros habituados ao formato mais comum de provas internacionais.

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Preparando o coro para mais um grito de guerra: "B B M P"! Foto: Arquivo pessoal.

 

Pode citar um momento marcante ao longo desses anos como competidor?

Na primeira prova no brasileiro, aqui na Bahia, em 2011, com um vento nordeste a mais de 20 nós e ondas grandes fazendo a última bóia, fui jogado na bancada de coral fiquei com a cordinha presa na pedra, tomando na cabeça várias série. Tive mais de 300 perfurações no corpo por causa dos pinaunas (ouríço do mar) incrustados nas pedras. Fui direto para uma clínica para retirada dos espetos e esse foi um fato marcante. Aprendi com a dor que o mar sempre vai ter o dia dele!

Que conselhos você dá para aquela pessoa que já passou dos 40 e gostaria de remar de SUP?

O SUP ajuda você a buscar a cada dia uma forma melhor de viver, uma vida sadia, alegre e divertida. No meu ver, é uma terapia completa onde você vai malhar e contemplar tudo do alto, fluindo, navegando e exercitando cada parte do corpo. O estresse do dia a dia vai embora e você fica com a mente leve pra encarar qualquer etapa de sua vida.  Crie você o seu momento remando e dias melhores virão. E olhe, o tempo não para!

Pra terminar, o que significa seu grito de guerra: “B B M P”? Pergunto sobre o significado mais amplo da expressão e não meramente o literal... 

(Risos)

B B M P Significa tudo! Minhas raízes, ser baiano, ser nordestino e desejar sempre a Bahia no lugar mais alto no cenário mundial. Nós baianos estamos ai sempre entre os melhores do Brasil e no mundo em diferentes modalidades esportivas.  Gritar isso se tornou minha marca registrada por onde eu ando.  Sou um cara autêntico, sou emotivo e tenho comigo uma energia constate. Gosto e gosto muito! É uma grande honra levar a Bahia no meu coração e gritar para os quatro cantos do mundo: “B B M P”! Principalmente no pódio!

 

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Luciano Meneghello é jornalista, editor e fundador do site SupClub e da revista Standup. Foto: Reprodução.

 

 

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