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SUP Entrevista
"Em 2 segundos ví 3 anos de projeto destruídos”
Por Redação SupClub em 15/04/16
Nicolas Jarossay, o homem que quer atravessar o Atlântico remando de SUP, fala sobre o acidente sofrido durante a primeira tentativa e seus planos para o futuro.
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Apesar do perrengue sofrido e hematomas pelo corpo, Nicolas Jarossay está determinado a seguir adiante com seu projeto de travessar o Atlântico remando de SUP. Foto: Arquivo pessoal.

 

Após o início mal sucedido de sua tentativa de atravessar o Atlântico remando de stand up paddle, Nicolas Jarossay passou a ser chamado de louco por muita gente, mas o francês garante que não é louco e que dará continuidade a seu projeto. “Em dois segundos ví 3 anos de projeto serem destruídos”.

O Jornal  francês 20 Minutes conversou com Jarossay já em terra firme e recuperado do acidente ao qual ele atribui uma tremenda falta de sorte, mas, também assume que mesmo com tanta preparação, alguns detalhes precisam ser revistos.

A entrevista você lê a seguir:

Como você está?

Fisicamente, está tudo bem, algumas feridas e hematomas por todo corpo e uma sensação de fadiga que agora está indo embora. Não dormi muito ainda e o acidente aconteceu bem no momento em que eu ia descançar.

Você pode nos dizer o que aconteceu?

Remei por várias horas e tudo corria bem. Havia 25 nós de ventos favoráveis e ondulações de cerca de 1,50m. Havia um leme no lugar da tradicional quilha na prancha. Sua função era a de manter e garantir a direção correta da navegação. Esse leme era controlado por um sistemas de cordas acionados pelo meu pé. Resolvi fazer uma pausa para descançar após 4 horas de remada. Mal comecei a comer uma laranja e notei que a prancha estava navegando de forma estranha, meio desgovernada. Nesse momento fui atingido por uma onda que virou a prancha. Foi então que percebi que a corda do leme havia se rompido. Foi tudo muito rápido.

Tentei diversas vezes girar a prancha novamente mas não consegui. Tentei de todas as formas, porém, além do peso que estava todo para baixo, o produto que passei no casco para aumentar o deslise e evitar o acúmulo de cracas, fazia minha mão escorregar a todo momento. Em seguida, a noite chegou e com ela o frio. Cheguei à exaustão e comecei a sentir muito frio. Nesse momento entendi que não seria mais possível continuar e chamei o resgate.

Estava cerca de 50 km da costa e não havia nenhum barco na área onde eu me encontrava, com exceção de alguns barcos de pesca, mas um pouco distantes. Felizmente, consegui contactar a guarda costeira de Cabo Verdo que só conta com um barco de resgate e eles conseguiram me encontrar, na total escuridão, em mar aberto. Estava no meu limite, já com hipotermia quando eles me encontraram. De lá fui direto para o hospital. Fiquei ao todo cinco horas à deriva tentando desvirar o SUP.

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Nicolas durante sua primeira tentativa. Horas antes de sofrer o acidente que o deixaria náufrago por 5 horas. Foto: Reprodução.

O que você estava pensando durante as cinco horas de espera?

Lembrei de alguns filmes que vi sobre naufrágos, de todo treinamento que fiz, dos testes com a prancha... Você tenta entender o que deu errado. Ia ficando cansado à medica em que me machucava mais e mais tentando desvirar a prancha. Procurava me manter calmo, apesar de toda a complexidade da situação em que me encotrava e de alguma forma me manter próximo ao SUP que escorregava a todo momento por causa da camada anti-incrustação em seu casco.  Depois, comecei a sentir uma grande tristeza e as lágrimas foram chegando. Em dois segundos ví três anos de projeto serem destruídos. Você passa a pensar quanto tempo mais vai aguentar aquela situação.

Você sabe por que a corda do leme quebrou?

Não. Parecia muito bem instalada. Por azar, perdi também a corda reserva, pois estava presa às linhas de vida em torno da prancha. No final do projeto eu removi quase todas cordas para tornar a prancha mais ágil, pois confiava na sua construção. Mas a corda caiu. Isso dificultou muito a maneira de manusear o SUP quando ele estava de cabeça para baixo. E, pra piorar, o leme reserva se perdeu também.

Você foi forçado a deixar o SUP lá?

Eles tentaram reboca-lo até metade da distância. Depois, uma vez que não tinham muita gasolina, e o mar começou a ficar muito ruim, a embarcação começou a apresentar panes e notei que eles estavam ficando bem assustados, decidimos abandonar a prancha. Eu acredito que as equipes de resgate estavam mais com medo do que eu. Fui vê-los no dia seguinte, eles me disseram que eles nunca saem tão longe, ainda mais na escuridão da noite.

Houve uma falha no sistema de segurança?

Difícil dizer, pois, como isso nunca foi tentado antes, a prancha era, na verdade, um protótipo. Como sempre, neste tipo de aventura, você está exposto. Havia, evidentemente, aspectos que poderiam ser melhorados antes de colocar o SUP na água, mas fomos pressionados pelo tempo. Os recursos financeiros disponíveis também eram enxutos. A coisa tem que funcionar. Não é possível partir para a “tentativa e erro”. O primeiro homem que voou um avião, voou cerca de um metro e, em seguida, caiu.

Você vai voltar a tentar a travessia?

Sim, mas não com esse modelo de SUP. Amanhã tenho uma reunião com um estaleiro que, acredito, entrará para o projeto. A primeira prancha foi construída por um shaper, mas, agora, se tudo der certo, teremos a participação de um arquiteto naval. Trabalharemos com sistemas mais modernos de computador que irão calcular de forma mais precisa os volumes, a bordo de peso, a largura exata da prancha.

Experimentei um naufrágio a 50 km da costa e não entrei em pânico. Meu preparo físico está ótimo e minha cabeça também. Não escondo que ainda choro muito, porque há muitas coisas que se misturam. Foram três anos de preparação. Coloquei muitas coisas de lado, a vida com a família, o trabalho, coisas do dia a dia em nome desse projeto.  Estou determinado e quero continuar.

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