MENU COMPETIÇÕES GUIA WAVESCHECK
Entrevista
João Castro
Por Luciano Meneghello em 15/03/16
Nosso editor bate um papo com João Castro, criador do Aloha Spirit Festival, sobre a história do evento, que completa 8 anos em 2016, e as novidades para este ano.
1200x800
Aos 50 anos, oito dos quais comandando o Aloha Spirit, João Castro está pronto para iniciar, em 2016, uma nova fase do maior festival de watersports do Brasil. Foto: Arquivo pessoal.

 

Em 2016 o Aloha Spirit Festival completa 8 anos de existência. Criado inicialmente como uma prova anual de VA'A, o Aloha ganhou fôlego, e foi aos poucos incorporando outras modalidades, como o stand up paddle, até se tornar o maior festival de watersports do Brasil.

Jõao Castro, "pai" do Aloha, bateu um papo com nosso editor, Luciano Meneghello, sobre a história do festival, principais dificuldades para se manter um evento deste port e as novidades para este ano.

 

Como surgiu a ideia de criar o Aloha Spirit?

 

Eu tinha uma agência de marketing esportivo e apostava muito em corridas de rua, principalmente porque as empresas optavam por patrocinar quase sempre corridas e futebol, e o foco era esse. Então, em 2008, eu comprei uma canoa OC1 e fiz uma travessia de Santos a Parati e foi a partir dai que eu comecei a prestar atenção nesse esporte. Já existiam provas, mas eram bem simples, até por uma questão cultural da canoa. Então resolvi fazer uma, mas, na época, não tinha pretensão de que se tornasse um evento sustentável. Fiz porque gostava da modalidade. O primeiro Aloha foi bacana, as pessoas gostaram e no segundo ano já havia bem mais inscritos e assim o evento começou a crescer.

 

603x398
Em 2008, quando fez a travessia de Santos (SP) a Paraty (RJ) remando de OC1, nascia a semente que germinaria o Aloha Spirit. Foto: Ale Socci / Green Pixel.

 

E o stand up? Como foi a ideia de trazê-lo pra dentro do Aloha?

 

Quando surgiu o stand up confesso que eu, particularmente, não me apaixonei muito pela modalidade, mas comecei a prestar atenção, principalmente nas provas realizadas lá fora que atraiam remadores de renome como o Danny Ching, por exemplo. Tinham umas provas onde o cara remava de stand up, de canoa, nadava, e eu achava isso muito legal. Foi então que eu comecei a desenhar o Aloha pra ele chegar ao formato que a gente conhece hoje. Foram entrando o SUP, a natação, o surfski e o paddleboard. E o que me deixa mais feliz nessa história é que no começo havia um pouco de ciúme entre as modalidades. Quando SUP entrou, o pessoal da canoa veio pra cima. E isso foi acontecendo entre as outras modalidades cada vez que uma nova entrava no Aloha. Porém, essa situação mudou completamente e houve uma grande integração a ponto de hoje você ver atletas participando de mais de uma modalidade nas provas. Isso é muito legal.

 

E quais foram as maiores dificuldades para se manter o Festival nesses oito anos de existência?

 

Financeiras. O evento foi se sustentando com as inscrições esse tempo todo. Ele foi aumentando em número de inscrições e paralelamente melhorando sua estrutura. Só que quando você conta apenas com o número de inscrições e com apoio, como, no nosso caso, na maioria das vezes vindo das prefeituras, você corre muitos riscos. Nem sempre as prefeituras podem ajudar como prometeram e nem sempre você tem o número de inscritos que precisa. Já tive que muitas vezes colocar dinheiro do meu bolso nas provas. A minha sorte é que eu gosto das pessoas e elas de mim, e isso gera uma empatia, uma credibilidade. Acho que você lembra que no passado alguns atletas receberam as premiações atrasadas. Isso era um reflexo desses tempos. Então, acho que a maior dificuldade foi a financeira.

 

2200x1467
O Aloha sempre foi conhecido pelo grande número de competidores de SUP. Para a etapa de Ilhabela, estão aguardados cerca de 300 atletas da modalidade. Foto: Luciano Meneghello.

 

Falta de patrocínio…

 

Sim, falta de patrocínio. Mas você vai buscando alternativas e encontrando saídas, apesar das dificuldades. Mas te confesso que eu quase desisti de fazer o Aloha em 2016. Mas montei uma associação há certa de três anos e através dela comecei a buscar incentivo para os projetos da Ecooutdoor. E através de projeto incentivado, e nem foi pela Lei de Incentivo ao Esporte, mas pelo Projeto Rouanet, que está por trás do projeto de cinema no Aloha e foi como a gente conseguiu chegar na Booking.com que nos encontrou, gostou do projeto e entrou como patrocinadora do evento. Então acho que isso vai me garantir menos cabelos brancos esse ano (risos).

 

O que você acha que falta para que mais empresas grandes como a Booking.com patrocinem provas de SUP e de VA'A? 

 

Eu te falo com toda certeza, agora dentro da seara do marketing. Infelizmente existe muita burocracia dentro das empresas de grande e médio porte, que são aquelas que efetivamente podem bancar um evento. As dificuldades para você chegar à pessoa certa dentro dessa empresa são enormes. E mesmo quando você chega nessa pessoa, entra outro aspecto que é muito peculiar no Brasi, que é o famoso "Q.I - Quem Indica". Então, às vezes você tem um projeto super bacana nas mãos mas não consegue emplacar simplesmente por uma questão de relacionamento. Você veja o caso do stand up, que tem um baita apelo…

 

É um esporte super eclético.

 

Extato! É como a corrida de rua. Você alcança os mais variados tipos de pessoas. Eu sempre falei pro Amendoim (Alessandro Matero, um dos pioneiros do SUP no Brasil) que o SUP iria virar a "corrida de rua das águas" no Brasil. E eu ainda acho que isso pode acontecer. Pelo menos em número de provas cresceu pra caramba e eu acho que num futuro não muito distante irão surgir provas realmente grandes de SUP no Brasil, com grandes patrocinadores. Uma coisa legal que está acontecendo é o caminho que os eventos estão tomando, como no caso do Rei e Rainha do Mar, que está colocando pessoas de dentro do esporte para dirigir as provas de SUP. Assim vamos crescendo de uma maneira bem estruturada. Mas, respondendo de maneira direta a sua pergunta: é uma questão de relacionamento.

 

2000x1333
"Com o SUP você alcança os mais variados tipos de pessoas. Eu sempre falei pro Amendoim que o SUP iria virar a 'corrida de rua das águas' no Brasil." Foto: Luciano Meneghello.

 

Ainda veremos o Aloha receber novamente uma etapa do Brasileiro?

 

Eu sempre tenho um pouco de pé atrás com a questão de receber etapas do circuito brasileiro porque são provas que já tem um formato pré determinado, normalmente puxado para o rendimento. Isso não quer dizer que é ruim ou bom. É apenas uma característica. Então, para atender a determinados padrões, você tem que se moldar e nem sempre isso é uma coisa simples, ainda mais no caso do Aloha que tem um formato mais festivo. Porém, nesse ano nós vamos receber uma etapa do brasileiro de VA'A em Salvador e te revelo em primeira mão que quero que essa etapa da Bahia também seja válida pelo brasileiro de SUP. Ainda nem falei com o Ivan (Floater, presidente da CBSUP), mas essa é uma ideia que estou matutando na minha cabeça.

 

O que podemos esperar do Aloha Spirit em 2016? 

 

Um evento mais bem estruturado em termos de construção, layout. A partir de Paraty nós teremos uma arena totalmente preparada para receber cadeirantes, com pisos tablados sobre a areia que permitirão aos atletas cadeirantes se locomoverem pra qualquer lugar da prova. Também haverá uma renovação no formato das provas. A gente percebe que um atleta às vezes viaja longas distâncias para correr apenas uma prova. Então, queremos dar a oportunidade dele ficar mais integrado ao festival, podendo participar de outras modalidades e outros formatos de provas, longa distância, por equipes ou as de sprint que irão rolar no domingo, falando de SUP e VA'A. Então, iremos testar esse novo formato que dá ao participante a oportunidade de competir em diferentes formatos de provas. Faremos então uma pesquisa para compreender se as pessoas irão aprovar.

 

320x173
Luciano Meneghello é fundador e editor do site SupClub e da revista Standup. Foto: Reprodução.

 

 

Veja também
Perfil SUP Race

Perfil SUP Race

Ela é Bárbara!

Perfil SUP Race

Perfil SUP Race

O 'Animal' está de volta

Padleboard Entrevista

Padleboard Entrevista

Patrick Winkler na expectativa da M2O

Alzair Russo

Alzair Russo

A vida entre pranchas e treinos

Entrevistas

Entrevistas

Planos de 2017 para Americo & Lena

Perfil

Perfil

Perfil – Tristan Boxford

Entrevistas

Entrevistas

Entrevista - Guilherme dos Reis

Perfil

Perfil

Kauan Terra agradece 2016

Entrevistas

Entrevistas

SUP Entrevista - Lena Guimarães

Mundial de SUP

Mundial de SUP

SUP Entrevista - Caio Vaz

Atletas

Atletas

SUP Perfil – Eri Tenório

Entrevistas

Entrevistas

SUP Entrevista - Miguel Nobre

Entrevista

Entrevista

SUP Entrevista - Mauricio Thompson

Atletas

Atletas

SUP Entrevista - Paty Mesquita

Perfil

Perfil

Kauan Terra

SUP Wave

SUP Wave

Entrevista - Tom Carroll