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Abrolhos de presente
Por Daniel Aratangy em 07/02/17
Blogueiro relata a experiência de comemorar o aniversário da sobrinha remando e explorar de SUP o deslumbrante arquipélago de Abrolhos (BA), área de preservação cuja visita só é permitida mediante autorização. Confira.
Tripulação conhecendo as casas e a igreja da Ilha Santa Bárbara, que pertence a Marinha Brasileira. Foto: Daniel Aratangy.
Tripulação conhecendo as casas e a igreja da Ilha Santa Bárbara, que pertence a Marinha Brasileira. Foto: Daniel Aratangy.

Essa viagem começou em Trancoso, passou pela Praia do Espelho e por Caraíva. Mas a melhor parte deixamos pro final. Eu e um amigo, que viajava comigo, aproveitamos que meu pai estava descendo de veleiro de Fernando de Noronha (PE) até Ubatuba (SP) para encontrá-lo em Caravelas, junto com outra parte da família. Éramos nove. Cada um vinha de um canto do Brasil, mas todos chegaram praticamente juntos no píer da cidade. Era o dia seguinte da eleição municipal e o prefeito eleito tinha contratado dois trios-elétricos para comemorar. O som altíssimo não chegou a atrapalhar o sono, que era embalado pelo delicioso balanço do barco.

 

Na manhã seguinte, acordei com o veleiro deixando o Rio Caravelas. A costa foi ficando cada vez mais longe, até que sumiu de vez. Quando chegamos ao arquipélago de Abrolhos, fomos recebidos pelas funcionarias do ICM-Bio. Uma guarda-parques e uma pesquisadora. Elas vieram num pequeno bote a motor e passaram as regras do parque marinho. 

 

É terminantemente proibido pisar em qualquer uma das cinco ilhas, com exceção da Siriba, desde que acompanhados por elas. E, além disso, é possível solicitar uma visita à Santa Bárbara que pertence à Marinha. Ou seja, tirando uns poucos minutos nessas duas ilhas, a estadia em Abrolhos é toda na água.

 

Por isso mesmo, assim que chegamos, inflamos nossas pranchas e fizemos o reconhecimento total do arquipélago por fora. Foram 10 km de circum-navegação. Logo na saída, vimos uma tartaruga enorme, disparado a maior que já encontrei. A água era muito clara e dava para ver os corais (alguns que só existem lá) e muitos peixes coloridos.

 

Entre uma ilha e outra, vimos na linha do horizonte um grupo de baleias pular, tirando todo o corpo pra fora da água. Era o final da temporada das Jubartes. Em setembro mais de 17 mil baleias se reproduzem e amamentam os filhotes ali.

 

Quando imbicamos para a ilha Guarita, centenas de pássaros resolveram passar por nós. Eles vinham em rasantes, pertinho da água e quase encostavam na gente. Na hora lembrei do filme Os Pássaros, do Hitchcok. Mas esses não vinham atacar. Foi maluco, como se fizéssemos parte daquilo tudo. Num ecossistema equilibrado eles não têm mesmo porque nos temer.

 

Por fim, contornamos a Santa Bárbara e chegamos de volta ao veleiro. A tripulação estava esperando por nós. Nosso capitão tinha conseguido com a Marinha que fôssemos visitar a ilha e o farol. Falou da minha sobrinha que completava 14 anos naquele dia e os marinheiros se solidarizaram.

 

Fomos recebidos pelo Cabo Piedade, um dos sete oficiais da Marinha que vivem no Arquipélago de Abrolhos, com uma única função: acender o farol todas as noites, sem exceção. Ele mostrou as instalações e falou da importância daquela estrutura de 22 metros.

 

Como Abrolhos está muito longe da costa, na escuridão da noite, a luz do farol é o único alerta para os navegantes da região. Desde o “descobrimento” do Brasil, foram tantos naufrágios que o arquipélago ganhou o nome de Abra os Olhos, usado até hoje na forma abreviada. Só em 1861, Dom Pedro II instalou o farol ali, depois de mandar fabricá-lo na França. Hoje o brilho pode ser visto a mais de 90 km de distância.

 

Pouco antes do anoitecer, Piedade fez uma surpresa: disse que naquele dia o farol seria aceso pela aniversariante. Foi um presente incrível para a minha sobrinha. Uma experiência inesquecível. Cantamos parabéns bem quando ela acendeu luz.

 

Distância = 10,5 km
Duração = 2 horas e 40 minutos
Vento = forte contra e a favor
Ondas = pequenas contra e a favor
Cidade = Abrolhos / Caravelas – Bahia
 
Daniel Aratangy é fotógrafo e viajante aventureiro que descobriu no SUP a ferramenta perfeita para conhecer e registrar alguns dos lugares mais bonitos do Brasil e do mundo.
 
Para saber mais sobre seu trabalho, visite o site caminhosdosup.com.br e siga @caminhos.do.sup no instagram.
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