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Expedição
Grupo conclui remada de Cananéia a Morretes
Por José Leonardo Mendes em 14/09/16
A bordo de 3 caiaques e um SUP race, amigos concluem a Expedição Morretes e falam sobre a remada por um dos trechos mais preservados do litoral brasileiro, na divisa entre SP e PR. Confira.
Expedição Cananetes. Foto: José Leonardo Mendes
Expedição Cananetes. Foto: José Leonardo Mendes

No dia 07/09/2016, quatro amigos de uma pequena cidade do litoral do Paraná, resolveram realizar uma expedição a remo, partindo de Cananéia (SP) com destino às suas casas em Morretes (PR).

O grupo fez um planejamento e estipulou uma rota a ser seguida de 5 dias e 4 noites, com aproximadamente 150 km no total. Tudo foi pensado por cada um dos membros, como comida, logística, pernoites, etc.

Seriam 3 caiaques e um SUP race preparado para expedição, sendo que os remadores dos caiaques foram o Rodrigo Welter, Gustavo Stocco Conforto e Felipe Stocco Conforto. No SUP foi quem vos escreve (José Leonardo Mendes).

Pelos relatos que buscamos de expedições, esta seria uma aventura inusitada, também um amigo nosso historiador, Sr. Eric Joubert Hunzicker, nos contou que tal roteiro foi realizado pelos primeiros moradores de Morretes por volta de 1580, informações essas que acabaram motivando ainda mais os participantes.

Antes de sairmos às 7h50 do embarque do ferry boat em Cananéia, chamamos a atenção de alguns curiosos pela quantidade de carga e toda a parafernália que descarregávamos do carro, o que acabou gerando algumas questionamentos e boas conversas logo no início do dia.

Com os equipamentos na água rumo à expedição, nosso planejamento sofreu uma alteração, pois, no dia anterior as ondas subiram e o tempo estava sofrendo alterações bruscas. Por conta disso, tivemos que abortar o trecho de mar aberto que pegaríamos entre a Ilha Comprida e o Marujá, na Ilha do Cardoso. Seguimos pelo rio, o que nos garantiu belas paisagens. Neste primeiro dia fomos surpreendidos por ventos e maré contra, o que não desanimou o grupo que estava muito empolgado.

Chegamos às 16h na casa do Sr. Laurentino, um pescador que tem uma ótima pousada e espaço para camping. Como éramos os únicos hóspedes naquele dia, nos recepcionou com uma janta maravilhosa e farta o suficiente para repor as energias do grupo, pois estávamos com um apetite enorme! Pudemos também dormir nos quartos, o que nos poupou maiores esforços com preparo de acampamento.

2º dia: saímos às 8h00 em direção ao tão esperado canal do varadouro, que segundo relato dos moradores foi construído à mão. Passando por ele pudemos observar que ainda há evidências de depósitos de sedimentos. O canal se tornou uma forma de atravessar os estados de São Paulo e Paraná sem precisar passar pela costa (mar aberto).

Com menos de 4 km de remada fizemos uma parada para conhecer a famosa Vila Fantasma ou Vila da Ararapira, onde conhecemos o Sr. Josias, então prefeito da ilha, como ele mesmo se denomina. Muito carismático, nos convidou para um banquete, no qual nos oferecia um de seus frangos e verduras do quintal, imaginando que ficaríamos ali para a pernoite! No entanto tínhamos uma meta de remar mais 24 km naquele dia e, sendo assim, tivemos que partir.

Pouco mais a frente paramos na vila do Ariri, onde nos abastecemos de insumos e conseguimos nos comunicar com a família por um orelhão disponível no local. Por volta das 16h00 já estávamos desembarcando no Sibuí para acamparmos na varanda da casa de um amigo. O cansaço já era notável no grupo e passamos ali uma longa noite de sono, pois ainda tínhamos muito caminho pela frente.

3º dia: o céu aberto e muito bonito durante todo o dia permitiu que avançássemos bem em um trecho muito difícil. Foram 10km e depois mais outro de 8 km sem proteção de margem, ou seja, sem referência de velocidade, deslocamento e rumo. A impressão que dava era de que a distância só aumentava. O vento contra nos últimos 8 km exigiu técnica e força, favorecendo o rendimento dos caiaques comparado ao SUP. Chegamos às 15h20 na ilha das Peças, onde fomos recebidos pelo Sr. Carlinhos que nos ofertou sua pousada para dormimos. Enquanto Carlinhos providenciava a janta na comunidade dos pescadores, saímos para confraternizar no Bar do Tobias. Pudemos então tomar uma gelada e comer uma porção de peixe Miraguaia, muito apreciado pelos frequentadores, além da caipira em um vidro de conserva, atendidos com muito apreço pela Dona Lu.

4º dia: o corpo já dava sinal de fadiga muscular e aquele “gás” do início já não era o mesmo. Porém tínhamos a motivação da boa companhia e muitas risadas, além da enorme vontade de voltar para casa e rever nossas famílias. Começamos a remar um pouco antes das 8h00 e tínhamos como objetivo chegar na comunidade de Eufrasina. Desta vez foram pouco mais de 12 km desprotegidos da margem, porém com o vento de través, que nos deu uma forcinha para vencer esta etapa, acompanhada, pela primeira vez, de aves e golfinhos. Em alguns momentos conseguimos até tentar um “downwind” nas marolas. Com duas horas de remo já estávamos em Piaçaguera (comunidade de pescadores em frente a Paranaguá), onde fizemos um pit-stop para frutas e água. Dali seguimos e passamos por diversas comunidades até finalmente chegarmos a Eufrasina.

Fomos recebidos pelo Sr. Jurandir com uma belíssima porção de peixe e uma cachaça com especiarias, conhecida “Rabo de Galo”. Com apenas um gole deu para ficar mareado o resto do dia (risos).

5º dia: nos despedimos do Sr. Jurandir rumo ao último dia da expedição. Na noite anterior ele havia ficado até altas horas contando as histórias da comunidade, local onde ele nasceu e reside por seus mais de 50 anos. Saímos de lá muito satisfeitos com tudo. Todas as refeições e quartos saíram por menos de R$ 70,00 por pessoa em Eufrasina.

Com os equipamentos, às 07h50, na água, tudo doía: braços, pernas e até o nosso pensamento. Para o tronco já não tinha mais posição de remar, além do psicológico começar a deixar tudo cada vez mais longe. Porém, seguimos com a mesma motivação. Cruzamos de Eufrasina direto para o Teixiera, comunidade próxima a cidade de Antonina-PR. Nestes 6 km parece que Deus teve piedade de nós e resolveu agraciar com mais um dia de vento e maré a favor. Dalí seguimos até a foz do Rio Nhundiaquara, onde aportamos pela última vez nesta expedição as 12h30, já em Morretes, nossa cidade!

Fomos recebidos pela família e amigos, todos felizes e admirados com o feito. Comemoramos muito esta vitória e experiência. Passamos por diversos pontos que denominamos rota de fuga, por onde poderíamos abrir mão do desafio completo caso algo ocorresse, porém, o grupo foi determinado e não abriu mão de concluir a expedição.

Agradeço primeiramente a Deus pela proteção e por iluminar nossos pensamentos nestes dias que passaram. Também à família que tanto nos incentivou, dando força tanto para ir quanto para chegar. Em especial também ao Sr. Leonardo (meu Pai), que foi nos levar até Cananéia (SP) e nos buscar em Morretes (PR), além de ter ido até o Cardoso passar um tempo conosco no primeiro dia.

*Ao que tudo indica, é a primeira vez que este trecho é realizado por remada SUP.

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