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O 'Animal' está de volta
Por Luciano Meneghello em 08/08/17
A retumbante vitória na 2ª etapa do circuito brasileiro race mostrou que Luiz Guida, o Animal, esta remando como nunca e é mais um capítulo de uma história de vida que se confunde com a do SUP nacional. Confira a análise de nosso editor.
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O Animal está de volta: Guida vibra com a vitória após uma prova perfeita em Salvador. Foto: Fabio Mota.

 

Se a segunda etapa do circuito brasileiro de SUP race, disputada em Salvador (BA), no último sábado (5), seguisse um roteiro imaginado pelo senso comum, assistiríamos a mais um capítulo da troca de guarda entre os atletas da elite nacional que vem se desenrolando desde 2016.

 

Acontece que certo atleta não estava de acordo com esse script e resolveu por conta própria dar outro desfecho ao final dessa história. Seu nome: Luiz Guida, mais conhecido como “Animal”.

 

Aos 34 anos, Guida não vencia uma prova do Brasileiro desde o Pantanal Extremo de 2015 e dada a chegada arrasadora de Guilherme dos Reis ao circuito, culminada com o título de 2016, especulava-se que, talvez, a "Era Animal" havia terminado.

 

Tetracampeão brasileiro de SUP race, campeão brasileiro de River SUP e campeão brasileiro de SUP Sprint, a sua história como competidor de SUP race se confunde com a história do próprio circuito. E, aliás, aqui cabe uns parênteses, pois, se não houvesse um circuito brasileiro, sua trajetória como atleta sem dúvida seria muito diferente e com bem menos reconhecimento, mas, voltemos ao nosso personagem.

 

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Comemorando o título de campeão brasileiro de River SUP em Foz do Iguaçu. Foto: Marcos Labanca

 

Animal, que ganhou esse apelido dada a ferocidade com que ia pra cima de seus adversários quando era um competidor de caiaque polo, foi o primeiro campeão brasileiro de SUP race da história da CBSUP (na época, ABSUP), em 2011. Ele mesmo protagonizou uma troca de guarda, pois, na era “Pré ABSUP”, era Alessandro Matero, o “Amendoim”, quem ganhava todas as competições nacionais de race.

 

A partir dai Guida teve uma ascensão meteórica, vencendo praticamente todas as provas da CBSUP além de circuitos nacionais de grande importância, como no caso do Aloha Spirit. Ao longo desses anos enfrentou adversários de peso como Alex Araujo, Renato Spiritus, Vinnicius Martins, Mario Cavaco e Paulo dos Reis, só pra citar alguns, mas conseguiu superar a todos na conquista dos títulos nacionais, ano após ano.

 

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Até 2011 era Alessandro Matero (à frente) quem ganhava praticamente todas as provas de SUP race no Brasil, mas isso mudou com a chegada de um certo Luiz Carlos Guida (ao fundo). Foto: Claudio Lima.

 

Isso durou até 2014, quando teve seu pior histórico no circuito, terminando o ano na terceira colocação. Paulo dos Reis, por outro lado, em grande fase, foi campeão brasileiro após uma bela campanha. Pela primeira vez a elite do SUP race nacional conhecia um novo campeão.

 

Em 2015, no entanto, veio o retorno triunfal já na primeira etapa, na Bahia. Campeão da prova e, como que comprovando a proteção que alegadamente recebe dos orixás, seu rival, Paulo dos Reis, foi obrigado a abandonar a disputa após quebrar o remo.  E o ano seguiu bem para Guida, mas a chegada de novos personagens, em especial, Arthur Santacreu e Guilherme dos Reis, indicava que manter-se no topo seria cada vez mais difícil. Mesmo assim, mais um título foi conquistado.

 

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Paulo dos Reis (à dir) foi o primeiro atleta a conquistar um título brasileiro após o início da "Era Guida" no circuito nacional. Foto: Luciano Meneghello.

 

No entanto, em 2016, Guilherme dos Reis mostrou que estava pronto para o jogo. Das quatro etapas do circuito deste ano, Gui venceu duas e ficou com o vice-campeonato nas outras duas. Guida ficou em segundo lugar no ranking, mas sem vencer nenhuma etapa. A nova geração chegou com força e com fome de vitória. Haveria então chegado o momento da troca de guarda na elite do SUP race nacional? O histórico de 2016 apontava para isso, mas não para o Animal. 

 

Guida mudou-se com a família para Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Lá, encontrou a calma e a tranquilidade para treinar em diferentes condições, flat water, ondas, downwind, além de trocar figurinhas com outros atletas em ascensão no circuito como Lucas Belchior

 

A mudança fez bem para Animal. Na primeira etapa do ano, em Florianópolis, senti que ele estava mais leve, mais conectado com o prazer de remar e de competir. Ficou em segundo lugar na prova race de longa distância, vencida por Guilherme dos Reis, mas não foi bem na prova de race técnico, terminando a disputa na quinta colocação. Para um atleta do nível e histórico dele, esse definitivamente não é um bom resultado, mas, pelo menos nos momentos em que conversamos, aguardando a premiação, ele estava tranquilo.

 

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A chegada da nova geração captaneada por Guilherme dos Reis, campeão brasileiro de 2016, aponta para uma inevitavel troca de guarda no comando da elite nacional. No entanto, ao que parece, essa troca pode não ser tão breve como se imagina. Foto: Fabio Mota/ CBSUP.

 

Passam alguns meses e o cenário muda. Animal está mais uma vez competindo em uma etapa do circuito brasileiro na ensolarada baía de Todos-os-Santos. Para muitos, inclusive esse que vos escreve, Guilherme dos Reis era o franco favorito. No entanto, já na largada, Guida mostrou que definitivamente segue atuando como um player de peso. Arthur Santacreu, representando a nova geração, manteve bravamente a primeira colocação até a metade da prova, mas Guida mostrou que além de remadas fortes, evoluiu sua habilidade de downwind, valendo-se das ondas e dos ventos para assumir a liderança e vencer novamente uma prova do circuito brasileiro após um longo jejum.

 

Enfim, Guida, que do alto dos seus 34 anos remou como nunca em Salvador, parece estar determinado a tomar de volta o “cinturão dos pesos pesados do SUP Race nacional”. Esse poder de superação somado a uma bagagem respeitável de títulos, é o tipo de coisa que mexe com a cabeça de um adversário se ele não estiver bem preparado mentalmente. Raça, técnica e habilidade estão afiadas como nunca, e se o poder de “entrar na mente de seus adversários”, comumente encontrado em supercampeões, nas mais diferentes modalidades, estiver aguçado, como parece que está, então, meu amigo, esse ano teremos uma briga de titãs no Brasileiro. Que venha Avaré!

 

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Luciano Meneghello é fundador e editor-chefe do site SupClub. Foto: Reprodução.

 

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