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SUP Wave
Por onde vai o SUP Wave?
Por Luciano Meneghello em 25/03/16
Nosso editor propõe uma reflexão sobre o desenvolvimento do SUP Wave e questiona possíveis caminhos para o crescimento sustentável da modalidade no Brasil.
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Atual campeão mundial de SUP Wave, Caio Vaz, estrelou filmes, novela global e programa na Tv à cabo. Credenciais que fazem do atleta um garoto propaganda e tanto para uma modalidade com poucas competições nacionais. Porque o SUP Wave não decola? Receio que a questão seja mais complexa do que se supõe. Foto: Carlos Carpinelli.

 

No início da semana a CBSUP (Confederação Brasileira de SUP) anunciou o calendário de provas do circuito para o ano de 2016 (clique aqui) e por mais um ano se anuncia que o SUP wave terá poucas etapas (duas previstas).

Não demorou para choverem críticas na página do Facebook da entidade. Admiradores e até atletas conhecidos soltaram o verbo. Entre as principais queixas, além da óbvia constatação das poucas etapas, acusações de que a entidade dá muito mais atenção ao Race do que ao Wave.

Mas, deixando a emoção de lado, o que tem a ganhar uma entidade abrindo mão de uma modalidade?

Cubro o circuito brasileiro desde seu início. Acompanhei de perto os bastidores de alguns desses eventos e, inclusive, tentei trazer um brasileiro de Wave para Santos (SP). Não consegui.

O atleta, evidentemente, ama sua modalidade e quer vê-la crescer, até por uma questão de sobrevivência. Mas o empresário, por sua vez, quer ver o retorno de seu investimento e é nesse ponto que as coisas começam a ficar mais complexas.

 

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Provas de Race não são baratas, mas tem o apelo irresistível de um grande número de inscritos. Foto: Luciano Meneghello.

 

Competições de Race que se prezem, ao contrário do que se propaga, não são baratas. Gasta-se muito com staff, segurança, área para atletas, entre outros detalhes. Porém, em contrapartida, você coloca brincando mais de cem competidores inscritos em um evento de um dia. Isso são números e é isso que o empresário vai olhar em primeiro lugar.

Uma competição de Wave, por outro lado, também é cara, e você coloca cerca de 40 atletas na água, em média, precisando de, no mínimo, dois dias de prova.

A premiação de um evento de Wave do Circuito Brasileiro equivale a cerca de 20% do custo de uma prova. Então, para oferecer uma premiação de R$ 10 mil (considerada baixa pelos atletas), você precisa desembolsar R$ 40 mil para fazer um campeonato. Se conseguir R$ 5 mil para um evento já é difícil, imagine 40!

Agora, pense comigo: você é um empresário e foi procurado pela CBSUP pra fazer uma competição. Não é óbvio que investir em uma prova de Race é muito mais seguro do que investir em uma prova de Wave? Sim, estou falando de uma maneira genérica e relativamente superficial, mas cabe à entidade "obrigar" um empresário a investir em um determinado modelo de prova? Não creio.

Questionei a CBSUP sobre o baixo número de competições de Wave. Ivan Floater, presidente da entidade, me explicou que os modelos "Grand Slam" que passaram a acontecer desde o ano passado com mais frequência, foram pensados para encorajar a inclusão do Wave nas provas, criando-se um "pacote" onde é possível fazer dois eventos em um só, reduzindo-se assim os custos com staff, tendas, entre outros pontos.

Nas palavras de Ivan: "Desde o sucesso do Mundial e Brasileiro, o Alagoas Pro, que uniu as duas modalidades em um único evento temos trabalhado para consolidar no formato eventos Grand Slam, unindo as duas modalidades, aproveitando a força que o Race tem para trazer o Wave dentro de um pacote mais econômico, mas a situação do país tem obrigado muitos empresários a reduzirem custos e a maioria, quando não desiste de patrocinar um campeonato brasileiro, opta por fazer uma prova de Race".

 

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O garoto Felippe Gaspar é a prova de que as novas gerações também são atraídas pela modalidade. O desafio é mantê-las dentro dela. Foto: Munir El Hage.

 

Meu caro amigo leitor, antes de você me acusar de "advogado de defesa da CBSUP", devo dizer que acho, sim, que falta um trabalho de divulgação mais apurado da modalidade Wave, afinal, temos três campeões mundiais: Leco Salazar, Nicole Pacelli e Caio Vaz, esses dois últimos com programas exibidos na Tv à cabo.

O que questiono, porém, é se essa é uma responsabilidade que cabe única e exclusivamente à Confederação. Não creio.

Hoje estamos em meio a uma forte crise econômica, mas nos anos anteriores não foi assim. O SUP viveu um boom poderoso. Ironicamente muita gente ganhou dinheiro fazendo pranchas de SUP para… advinhe? Sim, Wave!

Então porque essas marcas não investiram em competições? Faltou um trabalho apurado da CBSUP ou faltou mais envolvimento das marcas?

Em 2014 ouvi de uma amiga que encomendou um SUP com um famoso shaper que ele só fazia essas pranchas porque "dava dinheiro", mas que ele "nem curtia aquilo" e, ainda, tentou empurrar um funboard pra ela. Você acha que esse cara vai se preocupar em patrocinar um atleta de SUP ou um evento de Wave?

Infelizmente não são poucos os que agem dessa forma e a verdade é que são poucas as marcas genuinamente SUP Wave. Essas são as empresas que desde o início vêm apoiando atletas e competições de SUP.

E é ai que entra uma constatação óbvia: apesar de muitas pranchas produzidas, o mercado real, que investe na modalidade, é pequeno. Então, o primeiro passo para o crescimento é torná-lo sustentável e isso incide diretamente na criação de um circuito mais abrangente e na criação de ídolos. Esse é o maior desafio que a modalidade enfrenta hoje. Qual a saída? Um circuito mais barato e, consequentemente com premiações "simbólicas"? A criação de uma entidade brasileira formada por atletas? Mas quem assumiria esse papel? E, mais importante, porque isso não foi feito até agora? Afinal, não é de hoje que o Circuito Brasileiro é concebido com poucas etapas. É mais inteligente atacar a CBSUP ou se organizar e apoiar efetivamente um representante de Wave dentro da entidade?

Até agora muitas são as perguntas e poucas as respostas. Uma coisa, porém, está clara: sem união e foco, não se vai muito longe.

 

 

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Luciano Meneghello é fundador e editor do site SupClub e da revista Standup. Foto: Reprodução.

 

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