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Soul SUP
O SUP nas Olimpíadas
Por Luciano Meneghello em 25/08/16
Nosso editor propõe uma reflexão sobre uma possível inclusão do SUP nas Olimpíadas e de que maneira queremos que nosso esporte chegue às massas. Confira.
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Provas de SUP race seriam a forma mais rápida para a inclusão do SUP nas Olimpíadas, mas, de maneira queremos que isso ocorra e, mais importante, em qual formato? Foto: Reprodução.

 

As três medalhas olímpicas conquistadas por Isaquias Queiroz projetaram a canoagem brasileira a um patamar nunca antes alcançado em termos de exposição e popularidade. Praticamente da noite para o dia remar passou o a ser o tema de debate desde rodas de amigos em mesas de bar à editoriais de jornais de circulação nacional. Uma amostra da força que os jogos olímpicos têm. 

 

E, a julgar pelas movimentações de players de peso, como Petrobras e GE, dando sinais de que continuarão investindo na modalidade, tudo indica que um futuro bem melhor, em termos de visibilidade e recursos, se desenha para os atletas da canoagem brasileira.

 

Enquanto isso, o surfe se prepara para a sua estreia já nas olimpíadas, em 2020, em Tóquio...

Daí que estes são dois esportes que nos remetem a um terceiro, o stand up paddle. E a questão óbvia que muitos têm feito: o SUP será um esporte olímpico?

 

Acredito que sim - e mais rápido do que imaginamos. Ontem, conversei com um amigo que trabalha com a ISA (International Surfing Association) que, pra quem não sabe, é a organização mundial responsável por todo trabalho de inclusão do surfe nas olimpíadas e realiza anualmente o Mundial de SUP e paddleboard, um evento que desde a sua primeira edição, em 2012, foi criado para ser uma vitrine do esporte ao Comitê Olímpico, sobre as chances da inclusão do stand up paddle nos jogos.

 

Ele está bastante otimista. O surfe sem dúvida abrirá caminhos para outros esportes da mesma “família”, entre eles o SUP, e a ISA está realmente determinada a incluí-lo nos Jogos.

 

A modalidade em foco é o SUP race, mas, haverá também esforços para a inclusão do Wave. O raciocínio é o seguinte: um aproveita a estrutura da canoagem e o outro a estrutura do surfe.

Ninguém duvida de que a inclusão de um esporte nos Jogos Olímpicos é capaz de impulsioná-lo a novo patamar. A questão é, como queremos que o SUP seja projetado às massas?

 

Essa é uma questão-chave, pois precisamos preservar a identidade dessa atividade que mais do que um esporte, é um estilo de vida.

 

Lembro-me de um artigo muito bacana do Jim Terrell, publicado no site SUP Racer, sobre a popularização das provas de Race e o cuidado que deveríamos tomar para não nos perdermos no meio do caminho.

 

Primeiro, o SUP não descende da canoagem esportiva. Sim, é um esporte à remo e nos remete à canoagem, porém, tem suas raízes ligadas ao surfe e ao va’a. Atenção, antes que você pense que estou sendo incoerente, falo aqui em ligações muito mais profundas do que o simples ato de usar um remo para se locomover. Refiro-me à questão cultural, onde se resguarda nossa essência.

 

E o SUP é um esporte essencialmente oceânico. Nosso DNA tem sal e iodo. A importância e a razão de seu rápido crescimento residem na simplicidade com que conecta pessoas comuns a um novo universo. Acessibilidade é a palavra. O SUP faz sucesso porque é mais acessível do que o surfe e o va’a e tem a mesma vibe.

 

Daí que chego onde queria chegar. Devemos refletir sobre esse movimento olímpico. O caminho mais fácil é a inclusão do SUP em raias de Sprint das provas de canoagem. Mas, cuidado, pois isso implica em padronização e coloca a performance em destaque.

 

O que isso significa? Pranchas incrivelmente estreitas, velozes e acessíveis somente a atletas de alto rendimento. Seria assim que o SUP passaria a ser conhecido pelas grandes massas.

Mas isso acabaria com a essência do esporte? Não sei. Mas certamente acarretaria numa mudança de formato das provas de race que vemos hoje.

 

Veja, não estou aqui para dizer que sou contra isso, até porque, sinceramente, não tenho uma opinião formada. Quero apenas propor uma reflexão. E, uma vez que a direção é mais importante do que a velocidade, a hora de debatermos sobre o futuro, inclusão olímpica e a forma pela qual o esperamos que nosso esporte se popularize é agora.

 

De uma coisa eu tenho certeza, quem abandona suas raízes, se perde em algum momento de sua jornada.

 

Imua!

 

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Luciano Meneghello é editor chefe e fundador do site SupClub. Foto: Reprodução.

 

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