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Mestre do Mar
Desafios Esportivos X Desafios Corporativos
Por Redação SupClub em 03/12/18
Nosso colunista Douglas Moura relata sua visão entre o mundo corporativo e esportivo.
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O mundo esportivo acaca sendo tão disputado quanto o mundo corporativo Foto: Divulgação.

 

Em Junho do ano de 2010 passei, até então, pela maior prova de superação de limites na minha vida, indo da praia da Urca no Rio de Janeiro até a praia do Abraão na baía da Ilha Grande. Foram dezessete horas de remada em uma canoa havaiana com uma equipe de seis remadores, eu e mais cinco, e cento e trinta e cinco quilômetros percorridos, com paradas rápidas a cada duas horas para se alimentar. Muita superação de limites tanto físico quanto psicológico, união, força de vontade e perseverança foram os fatores que nos levaram a chegar ao nosso destino, além claro da crença que quando se quer, se faz.

Pegamos horas de mar muito agitado, horas de mar muito calmo, horas de vento e horas sem vento. Até tubarões apareceram para nos intimidar. Mas o foco era tanto que nada disso nos fez esmorecer. Ao contrário, serviu para nos dar mais força.

Saímos a meia noite e meia e chegamos lá as dezessete e trinta, horas e mais horas de reflexão sobre tudo.

Isso foi uma breve apresentação do que vivi, e como um homem que trabalha no mundo corporativo há dez anos, fui aconselhado por uma grande amiga a fazer uma analogia disso tudo, do esporte de alta performance com o mundo corporativo, como as lições aprendidas podem ser correspondentes em ambos os casos.

A primeira coisa que destaco nisso tudo é a união. Assim como a união foi imprescindível para chegarmos lá, e nesse caso digo uma união entre atletas de clubes que durante competições são adversários mas que na hora de alcançar o objetivo maior foram grandes parceiros, no mundo corporativo digo que as pessoas tem que se unir para levar a canoa (a empresa) para o objetivo maior dela, seja a obtenção de novos clientes, uma maior lucratividade, um menor índice de acidente de trabalho, uma eficaz condução das políticas de preservação ambiental, não importa o que seja. Se cada um de nós pensasse em uma praia diferente para chegar, ninguém chegaria a praia alguma. Da mesma forma, se dentro da empresa cada unidade de negócio ou projeto pensar em atingir apenas o seu resultado, o objetivo final não será alcançado. Quando entramos naquela canoa havaiana na sexta-feira a noite, entramos todos com o mesmo objetivo. Então, antes de iniciar cada novo desafio, os projeto e unidades de negócio têm que ter claramente a consciência que o objetivo tem que ser o mesmo, livre de vaidades, e que se um ganhar, ganham todos, se um perder, perdem todos.

Em ambos os cenários, a ousadia deve fazer parte, porém para ser bem usada tem que vir aliada com a análise de risco. Em um ambiente muitas vezes inóspito como é tanto o mar quanto o mercado, temos que analisar a conseqüência de cada uma das decisões antes de começarmos a travessia. Estamos dispostos a pagar o preço do erro, mesmo sabendo que pode ser irreversível, ou que esse erro pode trazer um esforço muito grande para ser recuperado?

Mas por outro lado, e o gosto da vitória? Cabe cada um analisar até onde está disposto a jogar.

E isso é válido para vários pontos diferentes no mundo corporativo, carreira (devo jogar tudo para o alto e ir à busca de um curso no exterior, ou ficar na segurança daquilo que já faço bem?), e é valido também no mar. Poderíamos ter ficado pela baía de Guanabara, calmo, mas não teríamos nem vencido nem participado de desafio algum.

A ousadia, a coragem e o medo eu considero que estão sempre caminhando juntos, pois para ousar é preciso coragem. Acontece que coragem e ousadia normalmente terminam em acidente, e é onde entra o medo para segurar o ímpeto mesmo dos mais atirados. Em determinados momentos da nossa travessia, todos sentimos medo, não um medo apavorante, mas sim um medo que liga o alerta. “Atenção!”. Mesmo nesses momentos, ninguém deixou o medo aflorar, pois poderia desestabilizar a equipe toda, tão concentrada. Ao sairmos da praia da Urca, estávamos todos apenas imaginando o que viria, e claro que dá medo, o medo do desconhecido. Mas aí entra a coragem e a ousadia de seguir naquilo que se acredita. No mundo corporativo é muito semelhante. Quando a empresa resolve encarar um projeto desconhecido, será certamente um desafio. E o desafio corporativo também assusta. Quantas vezes já nos pegamos falando: “Será que vamos conseguir?”Aí temos duas opções: Ou deixamos o medo nos dominar e perdemos o que poderia se tornar uma excelente oportunidade de negócio, ou aliamos esse medo à ousadia e à coragem de seguir em frente e surpreendermos os nossos clientes, nossos chefes, ou mesmo o mercado com uma idéia ou um produto inovador.

A raça e a força de vontade são dois fatores fundamentais para o sucesso de qualquer empreitada. Tem horas que a primeira coisa que dá vontade de fazer é parar a canoa na primeira praia que vemos, ou no caso da empresa, simplesmente dizer que não dá por alguns fatores que conhecemos de cabeça: Falta de tempo, falta de recurso (sejam quais forem), falta de incentivo e muitos outros.

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A cada dia que passa o mundo corporativo busca no esporte o equilíbrio para liderar as equipes Foto: Divulgação.

 

Mas até onde isso é verdade? Até onde estamos sendo sinceros conosco e com nosso time?

Parar é muito fácil, reclamar mais fácil ainda. Mas isso é traduzido como uma coisa: Derrota.

 

Derrota no sentido de que se tivéssemos nos empenhado, ficado quando necessário comprometido com o resultado, comprometido em alcançar o ótimo ao invés do bom, teríamos conseguido!

Agora, por outro lado, se temos raça, força de vontade, seremos tão eficientes quanto eficazes, seremos efetivos e aí o resultado positivo vem por conseqüência. Força de vontade é igual a garra de fazer tudo dar certo, mesmo quando tudo parece que está errado ou sem sentido.

Nessa travessia seria no momento em que o vento entrou, as ondas entraram e ficamos remando com ainda mais força de vontade para alcançarmos a Ilha Grade.

Após a garra e força de vontade, naturalmente temos que falar sobre superação de limites.
Acho que essa travessia foi uma superação constante para todos nós. Desde a hora em que resolvemos partir, até a hora do vento forte, das dores profundas que sentimos fisicamente.

Superamos-nos a cada remada, a cada troca de lado. Foi um ritmo de aproximadamente cinqüenta e seis remadas por minuto, logo em uma hora algo em torno de três mil e trezentas remadas, em 17 horas, incríveis cinqüenta e dois mil movimentos repetitivos, já descontando todas as paradas para comer e o tempo parado em Guaratiba para reabastecermos a canoa de água e alimentos.

Foi uma superação do que muitos diziam ser impossível, superação física sim, mas muito mais psicológica para mantermos a concentração nesse tempo todo! A dor existiu, e muita, podem ter certeza. Mas essa equipe de guerreiros e guerreiras com muito amor e ideal a fazia pequena, a controlava com a mente, e com a força da mente e seguia em frente sabendo que a cada hora remada era menos uma hora para chegarmos.

Como uma empresa pode analisar isso? Simples: Superação em uma empresa significa ir além do que as pessoas estão habitualmente acostumadas a fazer, a seguir. É aquele projeto que demanda horas de concentração, horas de trabalho e que em certos momentos a vontade maior é jogar tudo para o ar. É aquele desafio para o qual entramos e no meio acontece tantas coisas desfavoráveis que parece que o objetivo final não chega nunca! Cliente pressionando, fornecedor atrasando, recursos acabando. E mesmo com tudo isso, seguimos, não desistimos.

Nossa mente tem que saber lidar com isso e superar! É aquele projeto que te oferecem duvidando que você seja capaz, mas você o aceita (com a ousadia, coragem e medo citados anteriormente), coloca muita força de vontade e supera entregando um trabalho brilhante e surpreendente como resultado final.

Por fim, falarei do estilo de liderança que impera na canoa havaiana. A canoa havaiana tem um capitão, cuja tomada de decisão será deste capitão. A última palavra dentro da canoa é sempre dele, mas todos opinam. Com respeito, (é regra no esporte não haver ofensas) é claro. Cada um tem uma função vital dentro da canoa que ajuda o capitão a tomar a melhor decisão. E ele respeita muito isso. E com isso não há brigas mais ríspidas. Pode haver discordâncias momentâneas, mas no fim sempre se acha o melhor caminho ao ouvir todos.

Esse estilo de liderança é fundamental também dentro de uma equipe corporativa. O líder não é o chefe, pode até ser que seja por um momento ou outro. Mas normalmente o líder é aquele quem direciona a equipe. Ele não é o melhor em todas as posições, muitas vezes ele sabe o que cada um faz, mas não sabe fazer e nem tem que necessariamente saber fazer. A função dele é tomar decisões colocando a equipe na direção certa. Levantar psicologicamente a equipe quando necessário. É saber ouvir com respeito (ouvir, não apenas escutar) a opinião de todos, sabendo que todos ali são vitais para o sucesso da empresa.

No final da travessia, estávamos todos esgotados, com muitos calos nas mãos, sede, frio, fome, mas com o melhor dos sentimentos. Tínhamos vencido cento e trinta e cinco quilômetros! Tínhamos vencido todas as adversidades! Até tubarão tintureiro passou pela a gente! O gosto da vitória, quando chegamos lá às dezessete horas e trinta minutos de sábado e olhamos para trás sabendo o quão difícil foi chegar, o quanto longe estávamos de onde saímos, era o melhor gosto que podíamos sentir. As pessoas queridas vieram nos receber calorosamente, orgulhosas. Agora era hora tomarmos um merecido banho quente, de irmos para cama, comer muito, relaxar e curtir muito aquele momento. Nós merecemos aquilo. É muito gratificante quando se encara os desafios de frente, se supera e vence o medo e a covardia.

No dia seguinte acordamos e ainda fomos remar por mais duas horas. Só que dessa vez apenas para curtir o visual e nos divertir fazendo aquilo que amamos e aonde amamos que é o mar.

Isso se traduz no mundo corporativo no sentido de que ao fim de cada grande desafio, sempre criamos calos (podemos chamar os calos de lições aprendidas). Sempre há tubarões e adversidades (os obstáculos). Mas quando vencemos o gosto é o melhor e temos sim que termos nosso banho quente, nossa cama, nossa comida saborosa e curtimos muito o momento (que no caso da empresa, temos que aproveitar a vitória) e termos o reconhecimento as nossas vitórias. Muitas vezes é o que move uma empresa no mercado ou o profissional dentro da empresa.

Douglas Moura Coelho Filho.

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