MENU COMPETIÇÕES GUIA WAVESCHECK
Thomas Edward Blake
O Pai do Paddleboard
Por Alex Araujo em 30/08/18
Thomas Edward Blake, mais conhecido como Tom Blake é o pioneiro na construção de paddleboard no início dos anos 1930.

 

640x499
Tom Blake e Duke Kahanamoku, Foto:shacc.org

 

Enquanto restaurava as históricas pranchas havaianas em 1926 para o Museu Bernice P. Bishop, o então salva-vidas da Praia de Palos Verdes Tom Blake construiu uma réplica da Olo Surfboard previamente ignorada montada pelos antigos Ali'i havaianos (Reis Havainos). Ele lapidou sua réplica de madeira balsa (tradicionalmente feita de madeira de wiliwili) perfurando-a cheia de buracos, que então cobriu, criando assim a primeira prancha oca, o que levou à criação do moderno paddleboard.

Com esta prancha,Blake começou a competir contra os nativos, que na época eram remadores muito conhecidos, como, o jovem Duke Kahanamoku e Gerard Vultee. E sempre pensando na evolução, mas também com seu espírito competitivo, ele inventou as mudanças radicais nas tábuas, pois na época o sistema de construção as deixavam muito pesadas e lentas. Com seu novo projeto Blake tinha uma nova prancha, que além de ser mais leve era muito aerodinâmica que as antigas.

1621x982
Tom Blake o Pai do Paddleboard Foto: Shape woods

 

Com sua nova prancha, ele dominou as grandes ondas do Kala Huewehe, o nome havaiano das ondas de tempestade em Waikiki.

Dois anos depois, usando essa mesma prancha de 16 pés (4,9 m) e 120 lb (54 kg), Blake venceu o Pacific Coast Surfriding Championship, primeiro evento continental integrando surf e remo.

Blake então retornou ao Havaí para quebrar praticamente todos os registros de remo disponíveis, estabelecendo registros de 800 m e 100 m que ficaram até 1955.

Em 1932, usando sua prancha oca drasticamente modificada, agora pesando aproximadamente 27 kg, Blake superou os principais homens da Califórnia, Pete Peterson, e Wally Burton. Primeiro a cruzar o Continente para Catalina percorrendo as 29 milhas do percurso, (47 km) em 5 horas, 53 minutos.

990x550
Tom Blake o Pai do Paddleboard. Foto: Shape woods

 

Tom Blake, também foi um dos instrutores do Clube de Natação de Palos Verdes, e um dos fundadores do  Malaga Cove Paddle Board Club, cujo como membros do clube incluiam grandes remadores da época, Jack Bauman, Bauman, Chilton Moore, Bob Norman, Dendy Sadler, Mary Bieling, Jim, Damon, Curtis Burks, Roberta Mull e Larry Stone.

Durante a década de 1930, pranchas ocas influenciadas por Blake (chamadas “tabuinhas” por repórteres e depois por “surfistas”) seriam usadas em proporções aproximadamente iguais à de pranchas de remada tanto para Stand up quanto para surfe, até que as novas pranchas da Hot Curl, chegaram e colocaram a evolução em uma nova direção.

700x525
Tom Blake o Pai do Paddleboard. Foto: shape woods

 

Para o Paddleboarding, no entanto, os princípios básicos do design de 1926 de Blake permanecem relevantes até hoje.

* WILIWILI (Havaí) – Esta é a madeira que se faziam as respeitáveis Olo, pranchas de surf da nobreza havaiana. 

* Olo era um pranchão muito rápido, bom para entrar nas ondas havaianas com segurança.

Tipos de madeira usadas em fabricação de pranchas:

KOA (Havaí) - As pranchas de surf havaianas (papa he?enalu), assim como as canoas ancestrais (wa?a), eram normalmente construídas com a madeira da arvore Koa (acácia koa). O nome koa significa coragem, e é bastante apropriado para suas funções náuticas. A koa é muito comum em todas as ilhas do Havaí, gosta das cinzas vulcânicas e cresce rápido. Com ela eram feitas as pranchas alaias (entre 2 e 3 metros) e paipos (entre 1 e 0,5m), reservadas às pessoas comuns. Porém, madeira boa para construir canoa não pode deixar na mão e tem que ser forte, por isso faz a prancha de surf mais dura e pesada. Conta a favor o fato de possuir alguma flutuação, e ser difícil de empenar e estragar com o mar e o sol constante, além de ser muito bonita. Quando as pranchas de surf passaram a ser feitas também nos EUA, as madeiras mais semelhantes foram às vermelhas. No entanto, os velhos nativos havaianos por muito tempo insistiam, nenhuma madeira vermelha se compara a velha koa para descer ondas.

 

WILIWILI (Havaí) – Esta é a madeira que se faziam as respeitáveis Olo, pranchas de surf da nobreza havaiana. As pranchas reservadas aos reis e nobres, feitas com madeira da arvore wiliwili (Erythrina sandwicensis) chegavam a ter 6 metros de comprimento, eram muito finas e com fundo arredondado. A wiliwili é uma madeira bastante leve e com ótima flutuação. Pelas propriedades da madeira e design da prancha, a olo era um pranchão muito rápido, bom para entrar nas ondas havaianas com segurança.

 

BALSA (América do Sul) – O Peru é lar do ancestral surf em canoas de junco, e usavam troncos de madeira balsa amarrados para construir grandes jangadas, conhecidas hoje pelo mesmo nome, “balsa”. Esta arvore cresce desde a América central até o norte do Brasil. Na primeira metade do século XX passou a ser usada, entre outras coisas, para construção de pranchas de surf, um marco na evolução do esporte durante a década de 30. A arvore Balsa cresce relativamente rápido, pode chegar a 30 metros de altura e não vive mais do que 40 anos. No entanto, os nativos peruanos usavam o tronco bruto da arvore, pois a seiva conservava a madeira. Para pranchas de surf, a madeira tende a encharcar, perder a flutuação e se desfazer, e por isso passaram a receber tratamento com vernizes e posteriormente com resina e fibra de vidro (glass). As primeiras pranchas com balsa eram mescladas com outras madeiras mais duras, acrescentando resistência ao conjunto. Hoje, graças ao desmatamento e aos aeromedelistas, custam muito caro.

 

PAULOWNIA - Este é o nome popular de uma espécie de arvore nativa da China, Laus e Vietnã. A paulownia possui um crescimento muito rápido (aproximadamente 7m no primeiro ano), com inúmeras funções comerciais, tem sido muito usada como madeira de reflorestamento no Japão, Coreia e atualmente na Austrália, Esta arvore ficou conhecida como matéria prima para construção de pranchas de surf alaia graças as experiências do shaper australiano Tom Wegener, que se tornou uma referência na releitura das pranchas de surf primitivas, construindo alaias com novos designs funcionais. O uso recente da paulownia em pranchas de surf é devido o fato de misturar propriedades de leveza, densidade média e resistência (quase não empena), além de ser impermeável, não necessitando tratamento com resina (glass). Outra vantagem está no fato de existirem em abundância, pelo menos na Austrália e na Asia, diferente da balsa, difícil de encontrar.

 

AGAVE – Esta tem sido uma solução encontrada recentemente para construção de pranchas de surf de madeira. O agave é uma planta que faz parte da paisagem do México, das folhas extraem o sisal (palha com inúmeras aplicações) e da seiva destilada, a tequila. O agave é uma espécie exótica, trazida ao Brasil para uso em paisagismo e produção do sisal, tornando-se espécie invasora. O ciclo da planta é de 6 a 7 anos, quando desenvolve grandes folhas pontiagudas, e no final da vida desenvolve um tronco que chega a 10 metros de altura de onde nascem as sementes. Depois de reproduzir, a planta morre e seca. Sobra o tronco com uma madeira que chega a ter densidade menor que a própria madeira balsa, isto é, muito leve. A produção de pranchas de surf com bloco de agave é pelo mesmo processo das pranchas de surf de poliuretano convencionais, devendo receber acabamento com resina epoxy. O uso do agave para fins náuticos (principalmente pranchas de surf) ainda é recente, mas o material mostra-se muito conveniente, visto que aproveita o subproduto de uma planta no final do ciclo. No entanto, ainda muito difícil de ser encontrada no mercado.


1020x678

Tom Blake a as pranchas na antiga Waikiki. Foto: waikiki.inc

 

Confira este pedaço da história! Henry Ford e Paul Strauch discutem uma das pranchas ocas de vintage de Tom Blake de 1940. É um modelo de paddleboard de madeira da Catalina Equipment Company, também usado para surfar. 



 

Assista também um documentário sobre a vida de Tom Blake:

Veja também
Por dentro do SUP

Por dentro do SUP

A Maratona começou

Lokomaikaii

Lokomaikaii

ALOHA!

Mulheres de Peso

Mulheres de Peso

Big rider Andrea Moller

Tecnologia em alta

Tecnologia em alta

Quilhas High-Tech

Evolução da categoria

Evolução da categoria

PASA anuncia mudanças para 2019

Lobos do Mar

Lobos do Mar

Ivan Mundim

ISA Games 2018

ISA Games 2018

Experiência na raia

SupClub-Guide

SupClub-Guide

Las Palmas

Gabi Sztamfater

Gabi Sztamfater

Rookie focada no tour

Junior de peso

Junior de peso

Daniel Ferlin treina duro

Final Feliz

Final Feliz

Remadores resgatados em Salvador

Perigos do SUP

Perigos do SUP

Buscas continuam na Barra

Você faria isso?

Você faria isso?

Pit River Falls

Sede de vitória

Sede de vitória

Leco focado nas Canárias

SUP em alerta

SUP em alerta

Atletas na bronca em SP

Leitura Dinâmica

Leitura Dinâmica

Brasil em evolução