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Mestre do Mar
A banalização dos acidentes de remo.
Por Redação SupClub em 10/12/18
Confira a coluna desta semana com nosso amante do mar Douglas Moura.
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Tem que se ter muita responsabilidade para se guiar uma canoa pesando mais de 150 kilos, Mestre do Mar Foto: Divulgação.

 

Como mestre amador, mas antes disso, como um cara ligado ao oceano, a primeira coisa que aprendemos é: Nunca se deixa ninguém no mar, a não ser que o seu risco de morte se torne real.

 

Em um treino com meu brother Fabiano Faria, tive uma VAE da V1 quebrada e voltei rebocando ela nadando. Minha segurança era olhar para o lado e vê-lo sempre. Foi comigo até a areia e tenho certeza que foi um fator determinante a isso.

 

Hoje em dia, com o crescimento dos esportes a remo no Brasil, especialmente o VAA, essa premissa tem sido colocada de lado, bem como várias outras que trazem segurança e convivência sadia no mar, além de regras básicas previstas na RIPEAM.

Em campeonatos então, isso tem sido uma constante.

A medalha está se sobressaindo a qualquer ética competitiva, não há punição por parte dos organizadores mesmo havendo regras claras, e como resultado, os acidentes em provas aumentam a cada evento.

Todos os formadores de opinião, mas acima de tudo formador de remadores deveriam ter por premissa ensinar que as regras existem. E que uma vez punido, todos serão impactados, neste caso não digo nem apenas com relação a resultados em provas, mas sim com a severidade que os esportes a remo começarão a ser regulamentados.

Em provas, para se entrar com recurso, normalmente paga-se uma taxa, e dificilmente se o atleta ou clube faz parte dos Tops 5. Talvez 10, o resultado será favorável, especialmente se for contra um desses. Existem regras, mas que atualmente são cumpridas parcialmente (de forma parcial e em partes); isso faz com que atletas que conseguiriam um resultado sejam os verdadeiros e injustos punidos por este tipo de atitude.

Esses acidentes, seja em boia, seja em largadas, seja em qualquer outra circunstância deveriam ser punidas de acordo com sua gravidade, e quando isto causar um abandono de prova para a equipe que foi abalroada, a causadora deveria ser desclassificada também. Caso outro time desta mesma equipe seja responsável por outro acidente, quem seria desclassificado seria o clube.

Além claro, da responsabilidade material. Ora, atualmente está se tornando caro ir para provas, ser abalroado, e voltar para casa com seu prejuízo.

O regulamento deveria deixar esse tipo de punição claro e explicito, pois, o ser humano tem a tendência de respeitar quando há punição financeira envolvida.

 

Outro ponto que é fundamental é o entendimento das regras do mar. Quantas vezes em treino nos deparamos com outra canoa e no caso de seguir a RIPEAM, a colisão ocorra porque a outra canoa não conhece?

Quantas vezes somos colocados em riscos por esses desconhecimentos?

 

O treino deixa de ser apenas treino para se tornar também navegação quando se afasta a mais de 200 metros da costa.

No caso de colisão, caso o colidido decida entrar com uma ação usando o que a RIPEAM diz, certamente este ganhará em qualquer tribunal, marítimo e civil.

E caso seja em provas, e o colidido decida entrar contra o organizador por se sentir lesado, poderá usar também as regras que regem o mar, descrita também na RIPEAM.

Um toque de canoa não pode ser banalizado em nenhuma hipótese! A consequência é séria demais!

Consultamos o graduado em Física da UFRJ Rodrigo Schimdt Pitombo para uma explicação.

Abaixo números que comprovam essa colocação.

 

1 – Situação 1: Canoa peso total de 600 kg (canoa em média de 200kg e 6 remadores totalizando 400kg), velocidade de impacto: 10km/h; duração da colisão: 0.1s.

A força total que essa canoa atinge a outra será de aproximadamente 1700KGF. Ou seja, o peso de uma camionete!

 

 2 – Situação 2 (Canoa surfando uma onda ou vaga - OC6): Canoa peso total de 600 kg (canoa em média de 200kg e 6 remadores totalizando 400kg), velocidade de impacto: 20km/h; duração da colisão: 0.1s.

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Imagina este impacto no corpo de um ser humano, será que não poderia ser fatal?. Mestre do Mar Foto: Divulgação.

 

A força total que essa canoa atinge a outra será de aproximadamente 3400KGF. O peso de um pequeno caminhão.

 

O fêmur que é o osso mais forte do corpo humano suporta uma pressão máxima de 1200KGF antes de se romper.

Uma costela muito menos que isso, logo, uma canoa em um remador pode sem nenhum exagero matar!

O esporte vive um momento chave. As provas não podem se sobrepor a ética competitiva e moral. Muito menos sobre a integridade física humana.

Até que algo mais sério aconteça, no caminho que as coisas se direcionam, nada mudará.

Quando algo realmente grave acontecer, aí o impacto será muito maior pois virá de cima para baixo, das autoridades para as entidades, das entidades para os clubes, dos clubes para os remadores, nessa escala.

Temos a oportunidade de mudar esse cenário. Somos gestores de um negócio sim, mas antes de vendermos o esporte, vivemos uma filosofia de vida que todos admiram. Uma vida na praia, ver o sol nascer, ver o sol se pôr, chegar a lugares que são a fuga do Caos. Trata-se de uma tradição milenar, onde a competitividade existe, mas a esportividade se sobressai nos principais lugares do mundo.

Todos são iguais, os atletas, os remadores, no dia a dia, todos somos apenas remadores que nos vemos diariamente na água.

As provas não podem acabar com isso, o ego, a vaidade de ganhar definitivamente não é característica dos grandes nomes, dos campeões mundiais.

Uma pessoa que ganha uma prova regional, um remador que faz Leme a 1, 2 anos, não pode se achar melhor que outro que pratica a 10 anos.

 

As provas se bem usadas, trazem muitos benefícios claro! Temos grandes atletas que pregam a canoa e treinam como atletas! E levam os valores! Temos inúmeros deles em nossas aguas, em cada canto do país, e que usam as provas para se tornarem ainda mais unidos.

Pratique a remada segura, seja no dia a dia, seja em provas, antes de qualquer coisa, evite o acidente, e caso ocorra, preste socorro, de assistência. Haja como um verdadeiro homem do mar.

Assista ao vídeo de uma colisão por falta de conhecimento do leme:



Gentileza gera Gentileza, e no fim, todos ganham!

 

VAMOS JUNTOS QUE JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!!!

 

MAIS IMPORTANTE QUE O IR SERÁ SEMPRE O VIR!

ALOHA!

Douglas Moura

Remador e mestre amador.

Instagram: aloha_douglas_;

Facebook: Douglas Moura 

Douglas conta com os apoios – @Evoke eyeswear; @PuroSuco.oficial;@ RaldreiNatividade fisioterapia esportiva; @Rpilates; @AcademiaNiteroiSwim; @IcarahyCanoa;

Além disso, desenvolve treinamentos focados em navegação segura. 

 

 

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