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Lokomaikaii
“Com quantos paus se faz uma canoa?”
Por Redação SupClub em 06/11/18
Confira a matéria desta semana onde nossa colunista aborda a construção das canoas e suas origens.
Por Luiza Perin

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Lokomaikaii Foto: Divulgação.

 

A frase que dá título ao artigo desta semana é uma antiga expressão brasileira usada no sentido figurado quando se deseja demonstrar ou provar algo a alguém com mais detalhes ou clareza. 
 
Aqueles que conhecem a cultura caiçara - a do povo tradicional remanescente da primeira miscigenação de índios, negros e europeus no Brasil - podem responder: com somente um.

Canoas entalhadas em um só tronco de árvore eram comuns no litoral do nosso país, construídas graças ao acúmulo de conhecimentos ancestrais de homens e mulheres que viviam em profunda conexão com a natureza. 

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Canoa Caiçara, Lokomaikaii Foto: Santos Németh

 

A mesma resposta se aplica para a cultura polinésia - a do povo navegante do Oceano Pacífico. Assim como as nossas tradicionais canoas caiçaras, as canoas polinésias, caracteristicamente estreitas e compridas dotadas de um estabilizador lateral chamado de “ama”, eram construídas a partir de um único tronco de árvore. 

 
Os construtores de canoa no Havaí antigo eram verdadeiros mestres na arte da carpintaria naval, com conhecimentos de botânica e também muita sensibilidade para observar a natureza. Estes homens ou mulheres sábios com habilidades específicas eram chamados de kahuna. Os kahuna artesãos das canoas eram os kahuna kalai wa’a. 

Rústicas ferramentas como enxós (um primitivo instrumento de pedra) e machadinhos eram utilizadas para cavar a árvore cuidadosamente escolhida. A madeira koa, da espécie Acácia koa, era a preferida por ser a que atinge maior porte nas florestas havaianas. Os acabamentos finos como o polimento eram conseguidos com elementos da natureza tais como conchas e corais, assim como as cores do casco que eram obtidas a partir da tintura de plantas. 

A koa é uma madeira de muito valor para os havaianos e para preservar suas reservas nas ilhas as canoas passaram a ser construídas em fibra de vidro, tal como a conhecemos hoje por meio da modalidade esportiva conhecida no Brasil como “canoa havaiana”. 

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Índio da Tribo Tucumape esculpindo uma canoa, Lokomaikaii Foto: Renato Soares

 

As similaridades do primitivo povo tupiniquim com o povo polinésio são muitas no que diz respeito ao estilo de vida, mas vale a reflexão para o aspecto em particular abordado aqui: a sensibilidade para a construção de seus barcos, todos feitos a partir de um tronco único. Olhar para uma árvore e enxergar dentro dela o desenho de uma canoa e, ainda, desempenhar a árdua tarefa de derruba-la, levar seu tronco íntegro da floresta para a beira do mar e ainda entalhar com arte e sabedoria a sonhada canoa são habilidades atribuídas somente a povos que estabeleceram verdadeira conexão com a natureza. Viva nossas canoas caiçaras! Viva as canoas polinésias!


Aloha!!

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