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6 Remos
Guaraqueçaba é logo ali
Por Alex Araujo em 03/10/18
Remar em canoa nos aproxima dessa realidade e permite experimentar, pelo menos um pouco, esse modo de vida baseado nos ciclos naturais

 

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Experiência de Vida. Foto: Divulgação

 

Somos seis remadores e cinco canoas polinésias, que se encontram às  margens do Rio Itiberê, em Paranaguá/Pr,  na primeira luz  de uma  manhã de setembro.  Nosso destino:

Guaraqueçaba. Para alcançá-lo,  precisamos remar cruzando as baías de Paranaguá, das Laranjeiras e, finalmente, a de Guaraqueçaba.  No dia seguinte, devemos retornar ao nosso ponto de partida.

Quem conta essa história é a Renata, ou Rezi, como nós carinhosamente a chamamos, mas com a interlocução dos demais remadores. Porém, antes da nossa aventura iniciar, ela vai relatar como tudo começou.

Conheci a canoa havaiana há 14 anos quando fiz intercâmbio para a Austrália. Desde  então,  a cultura me encantou. O  respeito pela água e pelos outros, dentro e fora da canoa, que é determinante neste estilo de vida é o que mais me propulsiona a seguir espalhando esta tradição milenar.

Em 2017 decidi me dedicar à canoa em sua forma mais tradicional, ou seja, em travessias e como “meio de transporte”. Desde então,  junto com os meus amigos Deborah, Manu e Vina, que têm esta mesma visão,  começamos a desbravar  uma parte do litoral paranaense,  com suas maravilhas ainda pouco apreciadas.

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Experiência de Vida. Foto: Divulgação

 

O Vina,  com todo o seu conhecimento,  tornou-se o nosso navegador, organizando as melhores datas de acordo com as marés, ventos e chuvas e traçando os nossos trajetos.


A Deborah, já conhecedora da região, com mil ideias dos locais que podemos conhecer.

 

A  Manu,  sempre muito calma e confiante nos mantém motivados e tranquilos em todos os momentos. E eu, que me dedico às  questões de segurança e primeiros socorros em caso de emergência,  que esperamos nunca ser necessário.

E assim nos  tornamos um grupo de amigos determinados a conhecer o litoral paranaense da maneira mais tradicional, através de canoas e com a força do próprio corpo, ou seja, remando.

 

Também conhecida   como Lagamar,  é uma região de  mar,  mangues, estuários e Mata Atlântica, compreendida, ao  norte,  no litoral de São Paulo, pelas  cidades de Iguape e Cananéia e,  ao sul,  no litoral paranaense, delimitada pelas cidades de Guaraqueçaba, Paranaguá e Antonina. Possui várias áreas de proteção e preservação, como as Estações Ecológicas de Guaraguaçu e Guaraqueçaba e  o Parque Nacional do Superagui. Foi habitada por diversas comunidades humanas ao longo do tempo, como guaranis, quilombolas, imigrantes europeus e  os atuais moradores, conhecidos como caiçaras.  Tudo isso  faz  desse lugar um imenso depósito de diversidade biológica e cultural.  - (Deborah)

 

A canoa é um símbolo do modo de viver caiçara. É o que promove subsistência e locomoção das regiões mais remotas e intocadas (fundos de baía e enseadas) para os centros urbanos.

Remar em canoa nos aproxima  dessa realidade e permite experimentar, pelo menos um pouco, esse modo de vida baseado nos ciclos naturais. – (Deborah)

 

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Experiência de Vida Foto: Divulgação.

 

Depois de fazermos a remada Paranaguá até Eufrasina , descer o rio Guaraguaçu até Paranaguá e atravessar de Pontal do Sul para Antonina, achamos que estávamos prontos para ir além, numa remada de Paranaguá até Guaraqueçaba. Seria nossa travessia mais longa, já que, devido à distância,  teríamos que pernoitar e voltar no dia seguinte.

 

Então, você  se senta na canoa, pede licença e começa a remar.  Ao seu lado, mais quatro canoas , que não vão parar tão cedo. Tome água, coma alguma coisa, volte a remar. Faça isso por sessenta quilômetros e volte para casa. A pessoa que iniciou aquela remada ficará um pouco pelo caminho; a que chegará é diferente. Desconfio que melhor. -   (Vina)

 

…o desejo de remar era maior que qualquer dificuldade. – (Manu)

 

Com mais de um mês de preparo (check-list de segurança, hidratação e nutrição), analisando  tábuas de maré e datas ideais para o feito, decidimos que seria entre os dias 22 e 23 de setembro. Assim, começamos a treinar remadas longas para preparar o físico para  suportar remar durante dois dias seguidos,  em torno de 30 km em cada um. Ao longo  dos treinos,  convidamos mais duas amigas para participar dessa remada épica.  Adri  e Sol agora fazem parte dessa família de exploradores do litoral.

 

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Experiência de Vida. Foto: Divulgação

 

Para mim,  a ideia de voltar para Guaraqueçaba de uma maneira mais aventura começou em 2015,  quando passamos o réveillon em família. Ficamos pensando em um pedal, meu marido, eu e meu filho, Gabriel, que faleceu  no ano passado. –  (Sol)

 

Essa foi a  experiência  mais desafiadora e radical que já fiz até agora, testando os meus limites. A partir do momento em que entrei na canoa, em 2016, sem nem saber o que era e significava, já na primeira vez, apaixonei-me e percebi que tinha encontrado algo que realmente eu me dedicaria a fazer com gosto e alegria. – (Adri)

 

Ser convidada a participar dessa trip foi uma honra, pois realmente acreditaram que eu conseguiria! – (Adri)

 

No começo achava que seria mais uma remada linda, com pessoas que gosto.  Mais uma, de muitas que viriam pela frente. Sabia que seria puxado, mas queria testar minha capacidade. – (Manu)

 

Enfim, o dia marcado chegou. Acordar às 3 horas da manhã, com as canoas já amarradas em cima do carro  para descer do planalto (de Curitiba) para o litoral. O preparo das canoas,  ainda no escuro e aguardando o sol nascer, gerou uma emoção enorme e um certo medo do desconhecido que mantém sempre o respeito pelo grande mar que nos espera. O sol nos ajudou, dando uma trégua,  na primeira metade da remada contra baixios e a maré ainda virando ao nosso favor. Ficou escondido, entre nuvens,  esperando a hora certa de aparecer e nos mostrar a grandeza da baía. Os pássaros dando show no céu e os botos/golfinhos, um espetáculo no mar.

 

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Experiência de Vida. Foto: Divulgação

 

Antes mesmo da nossa saída da baía de Paranaguá, a Natureza nos deu um belo presente. Fomos brindados com uma revoada de Guarás, o icônico pássaro vermelho da região. Parecia um lenço vermelho flutuando no ar. – (Deborah)

 

Durante o percurso de ida, a emoção pelo novo, o fantástico balé produzido pelos Guarás que abrilhantou o céu e a magnífica e grandiosa revoada dos Biguás. -  (Sol)

 

…de repente você observa os pássaros que deslizam na corrente do vento sem perder a sincronia e se sente privilegiada em poder estar contemplando tudo isso. – (Manu)

 

Você logo descobre que aquele lugar tem donos. Você é bem acolhido, mas montanhas, peixes, ondas, sol, golfinhos, aves e o vento determinam a melodia. Benvindo,   você é um convidado. -  (Vina)

 

Imaginava que teria alguma dificuldade no percurso, como mudança na maré, temperatura, mas foi bem mais que o percurso. Foram descobertas, sensações, sentimentos, medo…mas o engraçado é que não era medo de não chegar e sim de ter que desistir. Porém isso estava fora de cogitação, porque só dependia de mim, manter a mente quieta e focada. – (Manu)

 

Nossa! Realmente foi tão lindo quanto eu imaginei que seria. Paramos para descansar na metade do caminho, na ilha da Banana, com um certo temor pelas pedras afiadas que a cercam.  Carregamos as canoas para a areia e avaliamos o melhor trajeto para finalizar o primeiro dia da travessia. Hidratados e alimentados, seguimos caminho e continuo abismada com a beleza das montanhas recortadas à distância e o mar azul e maravilhoso nos levando para o nosso destino.

 

Momentos mágicos e incríveis com os amigos. As paradinhas, o atolar no canal e a parada na ilha da Banana. Recompor forças, comer algo e observar a natureza ,  sabendo que metade já foi vencida.  - (Sol)

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Experiência de Vida Foto: Divulgação.

 

Viver em contato com a natureza é um privilégio. Ela sempre nos proporciona algo diferente, todos os dias. Respeito é algo primordial a ter dentro de si ao se aventurar. Respeite seus limites. Respeite suas condições. Respeite decisões tomadas e estudadas. Respeite a natureza ainda mais e ela te ajudará. Na ocasião, os botos/golfinhos ajudaram a avaliar onde tinha menos baixios. O vento aumentando pode indicar  que águas mais agitadas podem estar à frente e talvez terá que se preparar mentalmente para isso… - (Adri)

 

Guaraqueçaba fica ali? -  Um pouco mais para esquerda. Obrigado. -  (Vina)

 

A barca com nossos amigos que nos encontrariam em Guaraqueçaba passou por nós, ainda na baía das Laranjeiras, e nos ajudou a ajustar o caminho, mas o melhor espetáculo ainda nos aguardava.  Prosseguimos na remada,  já apontando  nossas canoas para a barra da baía de Guaraqueçaba.  Tínhamos visto vários botos/golfinhos ao longo do caminho, mas nada se compara ao que vimos quando adentramos a baía de Guaraqueçaba.  Parecia que eles estavam nos esperando para uma festa.  É muito boto/golfinho, e pela ausência de motores, eles não ficam tímidos em se exibir para as canoas. Saltavam, davam rabadas na água e vinham à tona para respirar bem perto.  Ficamos parados lá, por algum tempo,  apreciando a movimentação deles e deixando que a alegria  de estarmos tão integrados à Natureza nos preenchesse.

 

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Experiência de Vida Foto: Divulgação

 

O sol é o senhor do tempo e diz quando chegaremos em Guará. Brilha forte, tatua. Guaraqueçaba aparece, daqui a pouco chegamos. Só mais uma hora sem parar de remar. Mas teu pai te ajuda, então, tudo bem. – (Vina)

 

Confesso que a sensação de chegar na cidade de Guaraqueçaba também foi muito  boa, uma vez que remar 33 km, em  pouco mais de 5 horas, é cansativo, mesmo com o mar a favor e diversas pequenas paradas  para apreciar o caminho.

 

Chegar é uma alegria, sempre. As canoas vêm vindo, uma a uma, vivas, sincronizadas.

Atracam todos. Amanhã remaremos mais. Mas um caminho nunca é igual, por mais que seja o mesmo caminho. Você também já está diferente. – (Vina)

 

A chegada em Guaraqueçaba foi emocionante. Ver que conseguimos, ver rostos conhecidos, aplaudindo e nos esperando. E sentir em meu coração que meu filho estava me dizendo: “Aí mãe, você conseguiu, eu já sabia disso.” – (Sol)

 

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Experiência de Vida. Foto: Divulgação

 

A cidade nos recebeu de braços abertos e um por do sol maravilhoso nos abençoou com um final de tarde espetacular.  O sol se escondendo e descendo as suas sombras sobre a serra do Tromomô.

 

Manhã seguinte,  sol brilhando desde cedo.   Após um café da manhã reforçado, já nos preparamos e montamos as canoas para o retorno. Hora de entrar na água e bora!!! A maré estava contra, mas é o que nos mantém firmes e concentrados. O  vento, que não estava previsto, entrou contra também. A remada de retorno ficou bem mais difícil, mas também é um momento no qual aprendemos muito sobre nós mesmos, sobre nossa força, medos e dificuldades, além da nossa persistência e resistência.

 

No retorno, a maré é a senhora do tempo. Ela começa leve, acordando, mas logo estará fulminante, entrando pesada baía adentro. Sabíamos disso e, com todo respeito e amor, desejávamos esse encontro. Mas não se trata de um teste de força. Daqui do meio da baía, você poderia me dizer o significado da palavra desejo? – (Vina)

 

Remar contra uma maré de lua é uma experiência intensa. O vento não te poupa. Lembre-se que você é um convidado, mas está aqui porque quer. E porque ama. E a ama (flutuador da canoa) balança. Se quiser, pode gritar também. – (Vina)

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Experiência de Vida. Foto: Divulgação

 

Vento, onda, vento, onda. Se a canoa virar, desvire-a. Vento, onda, vento, onda. – (Vina)

…e a canoa virou … na boca da enseada,  com as ondas entrando  e a maré forçando tudo goela abaixo. Difícil de desvirá-la. Tenta uma, tenta duas, tenta três, tenta várias vezes. 

Sentimentos paradoxais: vulnerabilidade e força. Consegui, ainda bem!!!!! Rema  o mais forte que puder para sair daí. – (Deborah)

 

… remar com mais precaução, e de repente a superação, rema forte, rema mais forte, seqüência de ondas, e mais seqüência de ondas, não para, senão perde tudo o que remou, segue adiante – (Sol)

 

Parei com a Sol e a Adri um pouco depois da ilha da Banana. Foram  18 km em 4:30 horas. Um descanso foi necessário não apenas para o corpo mas também para a mente que estava muito agitada, devido às condições do mar.

 

Descansar em uma praia alivia as suas costas, esclarece sua mente. Suba naquele morro e veja a baía de cima. Você percebe como é bonito aqui? Sorria. O vento castiga, mas para. E parou. Olha a ilha lá embaixo. – (Vina)

 

Enfim, todos nos reunimos e seguimos o caminho, com o visual das montanhas e das ilhas ficando para trás.

 

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Experiência de Vida Foto: Divulgação.

 

Reveja seus amigos, vamos bem juntos até o final. Brinque nessa enseada, agora a maré está com você. As ondas estão com você. O sol é novamente o senhor do tempo, mas a areia escorre. Sinta, você começa a fazer parte de tudo isso. Mar, canoa, peixes, baixios, sua dor, sua alegria. Tudo a mesma coisa. A lua chegou. Seus olhos estão bem diferentes. – (Vina)

 

Voltamos parando, ainda, em Piaçaguera, para um café com bolinho de banana no Seu Oda e Dona Linda, temperado com aquele carinho especial de quem sempre recepciona os remadores.

 

Vamos chegar em Paranaguá, atravessar o Canal. Espere o navio passar. Fique ao meu lado. Você poderia me dizer o significado da palavra proteção? – (Vina)

 

Partimos para a reta final, atravessar o canal da Galheta com o por do sol e finalizando a remada já com a luz da lua que está quase cheia.  Com nossas lanternas seguimos até o final,  todos juntos e depois de quase 10 horas de remada. A  energia e a conexão entre todos é tão forte que  emociona demais e nos inunda com diversas sensações, mas chegar e ver nossos amigos nos esperando em Paranaguá foi um grande alívio. Tudo deu certo!!

A lua se apresenta, agora falta pouco, mais um pouco de canal para remar.  Reflita sua luz para que todos vejam, vocês estão ali, todos juntos, sinergia, união. De repente calmaria, e as luzes de Paranaguá que vão crescendo ao fundo. Ufa,  chegada!  Como é bom ver rostos conhecidos em terra firme, sorrindo ao nos ver. – (Sol)

E assim acaba a aventura que mudou todos meus paradigmas e me fez ver o quanto sou pequena, mas o quanto sou forte em me superar. – (Sol)

 

A Lua é a nova senhora do tempo. Mais vinte minutos com você, Lua; da Baía até o Rio Itiberê. E, após horas, você chega no final, comemora. – (Vina)

 

Chega um momento que parece não se ter mais força, mas está quase ali, só cruzar o canal da Galheta, e o canal da Galheta... ele não iria querer que todo esse dia cheio de descobertas e conquistas terminasse assim. Só pedi respeito e cautela. Para quem teve tanta discussão com seus sentimentos, tirou força de onde não sabia que existia. Para dar mais força, eis que surge a Lua, só para fortalecer como fosse mérito e dizer que tudo vale a pena quando se tem o respeito pelas pessoas e natureza. – (Manu)

 

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Experiência de Vida Foto: Divulgação.

 

A Natureza é vida que vive e você vive e faz parte dela! – (Adri)

Às vezes a gente faz coisas simplesmente para sentir que estamos vivos. – (Deborah)

 

Uma remada desse calibre realmente mexe demais com a gente. Sei que não sou mais a mesma pessoa depois de cada aventura, mas com certeza Guaraqueçaba sempre terá um lugar especial no meu coração, e o mais legal de tudo, já temos mais aventuras planejadas para os próximos meses. E vamos juntos...Aloha!

 

Renata Ratto , 30 anos, empresária, farmacêutica e remadora.

 

Sol Mio, 48 anos, professora, montanhista e ligada em família e natureza.  A natureza revela a Glória do Criador    #gabrielamoreterno

Deborah Koliski Vons,  50 anos, remadora.  Trabalha com moda e imagem pessoal. Gosta de  estar na Natureza e chegar nos lugares movida pela sua própria energia.

Adriana Aparecida Claro, 40 anos, mãe de Bianca, esposa de Daniel Ivancheche

Vinícius Carlos Freire, 39 anos, pai da Ana e do Dudu, engenheiro florestal.

Emanueli Andres,  33 anos, produtora de eventos

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