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Mestre do Mar
Invasão desordenada!
Por Redação SupClub em 04/01/19
Clubes de canoa polinésia – a nova galinha de ouro do mar.
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Clubes se espalham pelo mundo a fora e no Brasil não poderia ser diferente. Mas será que estamos preparados para esta invasão de canoas em nossos mares, rios e lagos? Foto: Divulgação.

 

Mais um ano que chega, temporada para avaliarmos os erros e acertos do ano, e fazer os planos para esse ano que acaba de chegar.

 

Os números do crescimento da canoa polinésia no Brasil foram espantosos nesse ultimo ano, em cada lugar com água um novo clube surgiu e surgirá quase que a cada dia no Brasil. Temos um litoral enorme e uma infinidade de lagos, lagoas, rios que possibilitam este crescimento.

Contudo neste ano que entra, devemos fazer a reflexão sobre como os novos clubes estão surgindo, muitas vezes com remadores já experientes, homens do mar capazes de liderar uma equipe na hora do Kaos, porém muitas vezes com aventureiros e remadores investidores.

Fico pensando nos riscos que estão envolvidos e que poucas vezes são levantados nas rodas, pois normalmente as remadas são acompanhadas de um instrutor.

Só que instrutor? Que professor?

O VA`A no Brasil está passando por um processo chave. Temos que nos espelhar em outros esportes, em outras modalidades primas, não como modelo de negócio, isso sim cabe ao investidor pensar, mas sim como um modelo de gestão de riscos.

Quando vamos para o oceano a parte física é importante claro, mas o tempo de experiência no mar, as vivências , as situações criticas trazem uma coisa que o “apenas” atleta de provas no seco ou em ambientes controlados não terão vividos: Frieza.

Sito uma galera muito comum que pratica nosso esporte e que anda lado a lado: O surf. Todo surfista já passou por situações de quase morte, ou angustia de viver durante um caldão. Isso é uma coisa rotineira na vida dessa galera e que faz com que o instinto fique muito mais de sobreaviso, além claro da intimidade com correntes, ventos, e etc.

Esse nicho, junto com a galera da vela (aí entra Kite, Windsurf, vela competitiva ou oceânica) já tem desde sempre o hábito de consultar gráficos de previsões, saber pelo aspecto do mar a velocidade do vento, a direção, intervalo de séries e etc.

E claro, a galera do caiaque oceânico,  cuja ACA (AmericanCanoe) oferece cursos de certificação de instrutores, indo desde o nível 1 ao 4.

Todos esses e outros tantos (professores de natação oceânica, donos de escolas sérias de SUP) tem uma grande coisa em comum: Noção do perigo que o oceano representa. Uns mais ousados, outros menos, e isso é perfil, não estamos aqui para avaliar esse critério.

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ACA Foto: Divulgação.

 

 

 

 

Hoje, qualquer pessoa com aproximadamente R$ 10.000.00 pode comprar uma canoa e abrir um clube, e temos vistos pessoas que nunca remaram em nenhum clube, nunca tiveram nenhum tipo de negócio no mar, mal aprendem a remar e devido ao aporte financeiro, abrem seus clubes.

E esse é o grande problema, donos de clube sem instrução não tem noção do perigo que é navegar em um ambiente que se algo acontecer existe todo um protocolo para cada situação no mar, regras que regem o trafego marítimo, regras que regem o surf (quando colocamos nossa canoa para surfar existem também protocolos e procedimentos pela cultura do surf).

E donos de clube sem noção formam instrutores igualmente sem noção, onde as únicas preocupações são medalhas ou diversão.

Conversando com uma instrutora que trabalha no Icarahy Canoa Clube sobre procedimentos de Huli, mostrei a ela que ali não me importa se a pessoa decorou ou não o que o banco dela faz, isso com o tempo ela aprende.

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Huli Foto: Divulgação.

 

A minha maior preocupação é avaliar a desenvoltura da pessoa na hora da emergência, quando se perde a zona de conforto do pé no chão da canoa, onde a praia está longe.

 

Se a pessoa não entra em desespero, um bom líder, um instrutor, um dono de clube treinado consegue conduzir qualquer procedimento, já uma pessoa em desespero muitas vezes pode colocar todos em problema.

Quantos pessoas no nosso meio já fez ao menos uma vez na vida um curso de RCP? E reciclagem anual? O corpo de bombeiros através de ofícios fornece esses cursos gratuitamente e deveria ser obrigatório para todos aqueles que querem conduzir 5, 10, 20 pessoas para o mar

Outro ponto fundamental também é ter uma boa natação, saber lidar com correntes marítimas na hora de nadar, saber para onde a resultante dos elementos está levando para que na hora de um socorro consiga dar as coordenadas (não latitude e longitude) de onde veio, para onde está sendo levado
.

Temos a sensação que o dia a dia no clube é muito menos arriscado que em provas. Embora possa parecer, tirando a parte dos acidentes em provas cada vez mais comum pela falta de conhecimento de regras básicas da RIPEAM, pela falta de punição in loco (hoje para se pedir um recurso tem que se pagar para depois no caso de deferido ter seu dinheiro de volta, o que convenhamos é um absurdo e uma afronta ao atleta prejudicado), de um modo geral as provas são muito seguras. Há muita segurança envolvida, é um ambiente controlado.

No dia a dia somos nós por nós. No caso de acidentes, no caso de emergência não temos o barco de apoio da prova para o suporte aos remadores, muitas vezes a senhora mais velha, ou o aluno que só está ali para o rolé.

Outro ponto que há muito e que vejo muito ser debatido no VA`A no Brasil é a necessidade de ter o CREF para dar aula no mar, a além de 200 metros.

Ora, como um garoto que nunca foi para a água, recém formado, poderia ter mais embasamento que um mestre, um capitão amador no que tange a aulas de remo no mar? O profissional de educação física tem o conhecimento e embasamento para passar os treinos, a planilha para o atleta, a biomecânica. O mestre, o capitão passará muito mais segurança a uma tripulação no que tange aos conhecimentos de navegação e portanto para onde uma aula deveria seguir.

Por exemplo, a sinalização náutica lacustre é bem diferente da marítima, e isso só se aprende nos cursos de habilitação náutica...

Um clube sério deveria ter os dois na verdade. Os mestres e os professores de educação física. Cada um na sua área.

Veja bem, ouço alguns falarem para mim: “A, mais na sua época você não pensava assim”. Sim, verdade, em 2005, 2006, ainda era uma novidade, então não existia remador experiente, todos estávamos em processo de aprendizado, mas hoje não, tem muitos remadores com 5, 10, 12, até 15 anos de canoa em atividade.

Tente ser um professor de vela com 2 anos de esporte, ou um professor de arte marcial com menos de 7 anos (no caso de ser um fora de série esse tempo). Impossível, pois há requisitos a cumprir.

Outro ponto é que a medida que a agente vai passando por situações no mar de perrengues  que não ter o conhecimento teórico  é um revés grande. Muitas vezes está tudo sendo mostrado que vai acontecer, mas como não sabemos ler a informação, nem sabemos que ela existe, e aí o problema começa.

Os clubes devem sir continuar a surgirem. Temos uma infinidade de praias para bases de canoa e o potencial enorme para sermos o país do VA`A. Vamos regulamentar nosso esporte! Criar certificados para clubes, fazer da confederação muito mais do que um local onde se chancela provas, mas sim onde se chancela a atividade de canoagem polinésia em sua essência principal e que a grande maioria admira e vem experimentar, o bem estar, o lifestyle, fazer um exercício físico com os amigos, criar novos vínculos, curar doenças, fortalecer o espírito. Isso tudo com muita segurança.

Feliz 2019, nos vemos na água! É o que deseja seu amigo e mestre do mar, Douglas Moura!

 

VAMOS JUNTOS QUE JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!!!

 

MAIS IMPORTANTE QUE O IR SERÁ SEMPRE O VIR!

ALOHA!

Douglas Moura

Remador e mestre amador.

Instagram: aloha_douglas_;

Facebook: Douglas Moura 

Douglas conta com os apoios – @Evoke eyeswear; @PuroSuco.oficial;@RaldreiNatividade fisioterapia esportiva; @Rpilates; @AcademiaNiteroiSwim; @IcarahyCanoa;

Além disso, desenvolve treinamentos focados em navegação segura. 

 

 

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