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Mestre do Mar
Manobras de segurança
Por Redação SupClub em 18/12/18
Conhecendo as manobras básicas de segurança e como se portar em mudanças bruscas meteorológicas.
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Mar de almirante as vezes pode se transformar em um pesadelo.  Foto: Divulgação.

 

Nessa época de verão, fim de ano, mar flat, sem ondas e muitos indo para o mar. Temporada perfeita para se divertir! Até que... vem um desavisado e albaroa sua embarcação, seja um caiaque, uma canoa, um SUP...

 

Neste artigo vamos falar dos perigos de fim de ano de quem vai para o mar e de algumas manobras e observações básicas que podem salvar a vida do remador. Existem os perigos meteorológicos e operacionais, muitas vezes desconhecidos.

Volto a afirmar que caso sofra algum acidente, seja em provas ou em uma remada do dia a dia e o responsável não se prontificar a reparar o dano, uma ação no tribunal marítimo e também na esfera cível poderá ser circunstanciada.

Vamos começar falando dos perigos meteorológicos.

1 – Agua gelada X Temperatura alta:

Verão é época de correntes de Leste. Estas correntes são predominantemente de águas geladas, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Em Florianópolis, Saquarema e Arraial do Cabo existem as chamadas ressurgências, que é quando a água gelada (mais densa e, portanto, mais funda) encontre uma barreira física e suba a superfície.

Essas águas giram na casa dos 15, 16 graus. A temperatura do ar atmosférico nessa época do ano fica entre 35 a 40 graus. Logo, basta uma virada de canoa ou de caiaque, ou um tombo na prancha para termos o chamado choque térmico. Sem entrar em detalhes, nosso corpo fica paralisado quase que instantaneamente, e na água, impossibilita o remador de voltar a superfície.

Para evitar isso, é sugerido que de tempos em tempos, molhe-se a nuca, os pulsos e os pés para ir acostumando a temperatura do corpo ao da água. A hipotermia mata e muitos acham que isso só ocorre no inverno, quando na verdade a chance de hipotermia no verão é bem grande.

 

Temporais de fim de tarde:

Quantas vezes depois de um dia super abafado olhamos para o céu e pensamos: “Ih, vai chover...” e ao final a chuva não vem...

Ou quando vem, a gente diz que a chuva nos pegou desprevenidos...

Frente fria e chuva de fim de tarde são coisas muito diferentes, até mesmo para a analise dos gráficos de previsão.  A frente fria é prevista com muito maior precisão do que as tempestades de fim de tarde.

E como identificar o que é um e outro?

Frentes frias são correntes de ar frio, vindo normalmente do Sul para o norte. Os ventos giram no quadrante Nordeste -> Sudoeste, normalmente não são acompanhadas de raios nem trovões. Uma consulta aos sites de previsão nos mostra isso claramente... Pressão caindo, temperatura cai junto.

Já os temporais de fim de tarde são ocasionados pela condensação de nuvens cúmulos, que vão se juntando até formarem a cúmulos nimbus. Essas nuvens são nuvens que vão desde a camada baixa até a alta e sua característica é ter uma bigorna no topo e como se fosse uma coluna de nuvens carregadas indo até as baixas altitudes do céu.

As vezes ela descarrega, as vezes não. Contudo, na duvida, não entre na água ou caso esteja na água, saia o mais rápido possível e vá para um local abrigado.

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Comulunimbus Foto: Arquivo

 

Manobras de segurança:

Atualmente vemos na água muitos leigos conduzindo suas embarcações a remo, e quando se precisa conhecer as manobras principais para evitar os acidentes, o problema e o acidente vem.

Já cansei de passar por situações nas quais segui estritamente o que a RIPEAM orienta e o outro condutor quase bateu em mim, muitas vezes para conseguir o melhor lugar para passar, ainda que isso não fosse. Mais um caso de falta de conhecimento de leitura de mar.

Um exemplo claro é a briga por passar colado em pedras. Muito pensam que passar perto da pedra será sempre bom. Ledo engano...

As principais situações que nos deparamos entre embarcações a remo são:

1 – Uma canoa cruzando a outra;

2 – Uma canoa de frente com a outra.

O que diz a RIPEAM?

Caso 1 – Uma canoa cruzando com a outra:

Quando estamos cruzando com embarcações de mesmo porte, a preferencia é daquela que vê a outra a bombordo, ou seja, à esquerda.

Partindo do principio que cada embarcação tem uma luz encarnada a bombordo e uma luz verde a boreste, em um processo associativo, quando vejo uma embarcação a minha esquerda, pelo meu bombordo, enxergo o bordo direito (boreste) da outra embarcação, ou seja, a luz verde. Sinal verde significa siga;

Por outro lado, se vejo a outra embarcação pela minha direita, por boreste, vejo o bordo esquerdo da outra embarcação, ou seja, a luz encarnada (ou vermelha). Sinal vermelho significa pare (neste caso, ou pare ou passe pela popa).

 

Caso 2 – Uma canoa de frente para com a outra:

 Quando estamos vendo uma embarcação vindo em de popa (ou de frente) para nossa embarcação, a regra diz que ambos devem guinar para a boreste (ou para direita).

Quando ambos realizam essa manobra o risco de colisão se extingue.

Isso é muito aplicável especialmente em canais estreitos, mas também em uma situação muito rotineira em muitos lugares, o direito de passar colado na pedra. Quem tem a preferência? 

Vamos a um exemplo prático da região que dou aula, a pedra do morcego. A preferencia é de quem está entrando na baia, normalmente voltando para a base, ou de quem está saindo da baia, normalmente iniciando o treino?

Pela regra, ambos devem guinar a boreste. Logo quem entra na baia tem a preferencia neste caso, quem sai deverá guinar para o seu boreste que é se afastando da pedra. Além disso, quem vem mais perto da pedra, tem o obstáculo físico no caso de guinar para boreste, portanto, deve-se manter a proa e quem vem no sentido oposto manobrar para seu boreste.

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Mestre do Mar : Divulgação.

 

Existe alguma forma de saber se estou em rota de colisão de uma embarcação ou se conseguirei passar pela embarcação?

De modo geral, podemos afirmar que sempre, sempre deve-se passar pela popa de uma embarcação ao cruzar, seja em um canal de navegação ou mesmo cruzando no dia a dia.

Contudo há sim uma forma de fazer essa identificação quando conseguimos marcar um ponto de referencia em terra e fazermos o alinhamento entre nossa embarcação, a outra embarcação e esse ponto em terra.

Quando ambos as embarcações estão em movimento e avançando e este ponto fica para trás, significa que passaremos pela popa; Caso esse ponto fique para trás, teremos espaço suficiente para passar para frente; Caso esse ponto se mantenha no mesmo lugar, significa rota de colisão.

Confuso?

O esquema abaixo será muito esclarecedor.

 

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Mestre do Mar Foto: Divulgação.

 

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Mestre do mar. Foto: Divulgação.

 

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Mestre do mar. Foto: Divulgação.

 

IMPORTANTE TAMBÉM RESSALTAR QUE TODA MANOBRA NO AMBIENTE MARÍTIMO DEVE SER CLARA, OU SEJA, TENHA CERTEZA QUE A OUTRA EMBARCAÇÃO SAIBA O QUE SERÁ FEITO.

E ACIMA DE TUDO, IMAGINE QUE A OUTRA EMBARCAÇÃO NÃO CONHEÇA AS REGRAS DESCRITAS NA RIPEAM E MANOBRE SEMPRE PARA EVITAR A COLISÃO.

CONTUDO, NO CASO DE COLISÃO, BUSQUE SEUS DIREITOS SEJA NO TRIBUNAL MARÍTIMO OU MESMO NA ESFERA CIVIL.

No mar somos todos iguais e temos que nos apoiar, tirar o outro de apuros. Até o ponto que seja necessário se colocar no risco.

 

VAMOS JUNTOS QUE JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!!!

 

MAIS IMPORTANTE QUE O IR SERÁ SEMPRE O VIR!

ALOHA!

Douglas Moura

Remador e mestre amador.

Instagram: aloha_douglas_;

Facebook: Douglas Moura 

Douglas conta com os apoios – @Evoke eyeswear; @PuroSuco.oficial;@RaldreiNatividade fisioterapia esportiva; @Rpilates; @AcademiaNiteroiSwim; @IcarahyCanoa; além disso, desenvolve treinamentos focados em navegação segura. 

 

 

 

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