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Mestre do Mar
Palavra do capitão
Por Redação SupClub em 18/01/19
Entrevista com o comandante das operações aquaviárias do grupo CCR- Capitão Osvaldo Freitas – Capitão de longo curso da MM, formado em 1980 pela EFOMM.
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Mestre do Mar Foto: Divulgação.

 

Nesta semana, depois de um contato iniciado no final do ano passado, tive o prazer de entrevistar o comandante Osvaldo de Oliveira para batermos um papo sobre as rotas dos Catamarãs e barcas que fazem o trajeto dentro da baia de Guanabara e convivem com as canoas polinésias já a algum tempo.

 

Foi uma conversa muito agradável, a receptividade foi enorme por parte tanto do Capitão Osvaldo de Oliveira quanto de todos do grupo CCR. No final, a certeza que se tomarmos alguns cuidados e entendermos um mínimo de regras e normas, o risco de acidentes diminuirá e a convivência pacifica entre remadores e embarcações rápidas aumentará!

Muito importante ressaltar que muitas das coisas que os leitores lerão, são aplicáveis em muitos portos brasileiros e costas brasileiras, não apenas aqui no Rio de Janeiro. De qualquer maneira, em caso de dúvidas ou maiores esclarecimentos, procurem a concessionaria marítima local, sempre vale ouvir os dois lados.

Segue a entrevista!

 

1 - Douglas Moura: Como a CCR analisa o crescimento da canoa polinésia nas aguas da Baía de Guanabara?

Comandante Osvaldo: Para nós da CCR, o crescimento da canoa polinésia é visto de forma muito positiva, pois é um esporte muito bonito, que gera bem estar para os praticantes, saúde, e a possibilidade do contato com o mar.

Contudo, vale ressaltar que existem inúmeras regras dispostas na NPCP (Normas e Procedimentos da Capitania dos Portos), RIPEAM (Regulamento Internacional para Evitar Albaroamento no Mar) e Normans que devem ser observadas pelos praticantes da modalidade.

 

2 - DM: Como as canoas polinésias  interferem no trafego das barcas e catamarãs?

C.O: As canoas interferem no trafego das barcas e catamarãs quando não cumprem as regras dispostas e normatizadas. Especialmente aquelas que cruzam na proa das embarcações se tornam um problema para os comandantes das embarcações.

 

3 - DM: Quais os principais riscos envolvidos ao se cruzar o caminho das barcas?

 C.O: O principal risco é em rumos cruzados. Outra situação bem comum é cruzar a popa da embarcação enquanto esta está em manobra de desatracação. Existem pela Normam as regras de sinalização sonora, e esta regra é usada sempre pelos comandantes. Todas as vezes que uma embarcação desatraca haverão duas situações:

Primeira: 3 apitos curtos – Significa: Estou dando maquina a ré. Portanto, ao ouvir isso, se liguem que o comandante já olhou previamente que o caminho está liberado e seguirá o procedimento.

Segunda: 1 apito curto: Significa: Estou guinando a boreste. Portanto, saia do bordo direito da embarcação.

Além disso, o outro fator de risco seria uma canoa virar ao cruzar a embarcação pela proa,  e dependendo da situação, não haver tempo hábil para desviar.

 

4 - DM: Existe uma rota definida na qual os catamarãs tem que cumprir?

C.O: Positivo. Existe tanto no sentido Charitas X Praça XV, quanto no sentido Praça XV X Charitas. Isso vamos ver no vídeo que fizemos mostrando a rota na carta náutica da Baía de Guanabara.

 

 

5 - DM: Os comandantes das embarcações conseguem ver as canoas? Se sim, a que distância?

C.O: Sim, é possível ver as canoas polinésia do passadiço dos catamarãs. Em uma condição de visibilidade ideal, ou seja, tempo bom, sem nevoeiros e sem ondas, em média é possível ver as canoas até 3Mn (Milhas náuticas), aproximadamente 5.5 km. Para referencias, seria olhando das bases de Charitas até próximo de São domingos; Ou saindo da Praça XV, seria até o morro do morcego.

Contudo é muito importante ressaltar que essa visibilidade ideal ocorre com pouca frequência. Qualquer marola, sopro de vento, umidade alta, nuvem, já faz com que essa distância diminua consideravelmente. Portanto, a dica é: Nunca cruze a proa da embarcação.

 

6 - DM: As embarcações possuem sistema de radar? No caso afirmativo, eles detectam as canoas?

C.O: Sim, nossas embarcações possuem radar. Contudo, como as canoas são muito baixas, qualquer condição que gere onda (ondulação na Baia de Guanabara, ou vento), faz com que o radar deixe de detectar a presença das canoas.

 

7 - DM: Onde é o ponto de aceleração e desaceleração dos catamarãs.

C.O: Existem algumas coisas que vale ser informada: Durante o auge da velocidade, ou seja, logo após a desatracação, as embarcações atingem aproximadamente 20 nós ou  40km/h (muito rápida); Já na desaceleração no primeiro estágio, cai para aproximadamente 6 nós ou 12 Km/h. E perto da estação para cerca de 1 nó ou 2 km/h.

 

No sentido Praça XV x Charitas:

         Ponto de aceleração (velocidade de aproximadamente 20 nós): Após a curva do aeroporto e

         Ponto de desaceleração (velocidade aproximadamente 6 nós):  próximo a pedra do morcego;  

 

No sentido Charitas Praça XV:

         Ponto de aceleração (velocidade aproximadamente 20 nós): Após a ilha dos carecas;

         Ponto de desaceleração (velocidade aproximadamente 6 nós):  Após a curva do aerporto;

 

(Esses pontos estão especificados no vídeo da carta náutica na pergunta 4)

 

8 - DM: É possível diferenciar o tamanho das canoas?

C.O: Positivo. E é outro fator que influencia a visibilidade. Uma canoa grande com 6 pessoas será muito mais visível que uma canoa individual.

 

9 - DM: Quais os principais erros que, na visão do senhor, os remadores cometem?

C.O: Os principais erros cometidos pelos remadores são:

1 – Mais uma vez repito: Cruzar a proa das embarcações;

2 – Tentar surfar as ondas geradas pelos catamarãs;

3 – Ignorar as altas velocidades que as embarcações possuem. (Chegam a andar até a 20K, ou seja, perto de 40 Km/h).

4 – Navegar e cruzar o canal em dias de nevoeiro.

10 - DM: Sabemos que não devemos cruzar a proa de uma embarcação, porém, caso isso ocorra e a canoa vire, qual os procedimentos os remadores devem adotar para minimizar os riscos do acidente iminente?

C.O: Caso a canoa vire, parar e sinalizar com os braços e remos fazendo o sinal universal de emergência, ou seja, balançar os remos para um lado e para o outro.

No passadiço há sempre o comandante, o imediato e o chefe de máquinas o tempo todos atento no percurso.

Outra dica também que facilita a visualização são canoas pintadas com cores chamativas (vermelha, laranja, amarela ou branca).

 

11 - DM: Quais as dicas o Sr Comandante pode passar para melhorar a convivência entre as canoas e as embarcações da CCR?

C.O: Temos algumas. Vamos a elas:

1 – Sendo repetitivo para enfatizar bem: Jamais cruzar a proa de uma embarcação;

2 – Após escutar os 3 apitos curtos, não cruzar a popa da embarcação;

3 – Não remar próximo da embarcação mesmo com ela parada. O comandante pode ter que dar maquina a qualquer momento e albaroar um remador próximo.

4 – Colocar cores chamativas;

5 – No caso de sinistro com a canoa sinalizar o mais rápido possível para a embarcação que estiver no seu rumo;

6 – Não remar nas rotas da embarcação (conforme link acima do youtube);

7 – Procurem remar sempre de acordo com as regras de segurança da navegação, expostas nas Normans/ RIPEAM/ NPCP.

 

12 - DM: Qual a mensagem final o Sr gostaria de passar para os leitores?

C.O:  A CCR aprecia muito a canoagem e os esportes a remo. O esporte fluminense fica em evidência. Nossa ideia é com que este bate papo, ocorra maior consenso entre os remadores e os comandantes das embarcações da CCR, para que juntos possamos realizar uma navegação cada vez mais segura dentro das águas da Baia de Guanabara.

 

 

VAMOS JUNTOS QUE JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!!!

 

MAIS IMPORTANTE QUE O IR SERÁ SEMPRE O VIR!

ALOHA!

Douglas Moura

Remador e mestre amador.

Instagram: aloha_douglas_;

Facebook: Douglas Moura 

Douglas conta com os apoios – @Evoke eyeswear; @PuroSuco.oficial;@RaldreiNatividade fisioterapia esportiva; @Rpilates; @AcademiaNiteroiSwim; @IcarahyCanoa;

Além disso, desenvolve treinamentos focados em navegação segura. 

 

 

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