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Mestre do Mar
Tempo e condições climáticas.
Por Redação SupClub em 07/03/19
Confira a matéria desta semana do nosso colunista Douglas Moura.
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Mestre do Mar Foto: Divulgação.

 

Na matéria desta semana nosso colunista Douglas moura bateu um papo com o Iago Alvarenga e Silva que é Mestre em Meteorologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

Confira a entrevista:

 

Douglas:  Iago, estamos entrando em um período de muita instabilidade, os meses de Fevereiro e Março. Quais são os principais fatores do clima que podem causar transtorno para quem está no mar?

 

Iago: Neste período de novembro a março, os principais fatores que causam transtornos para atividades marítimas são as frentes frias e as tempestades típicas de verão. A união entre as altas temperaturas e a alta umidade faz com que a instabilidade atmosférica aumente, o que pode ocasionar na formação de aglomerados de nuvens de chuva, muitas vezes acompanhadas de descargas atmosféricas.  

 

 

Douglas- Como podemos, olhando para a atmosfera, ver se um desses fenômenos estão para acontecer?

 

Iago: O principal indício de chegada de uma tempestade é a presença de nuvens do tipo cumulonimbus no horizonte. Estas apresentam aspecto acinzentado e são compostas geralmente por gelo na parte superior (da qual se origina o granizo) e gotículas de água na parte inferior.

 

Douglas - Como são formados os nevoeiros no mar?


Iago: A maior parte dos nevoeiros marítimos é formada quando o ar quente e úmido (principalmente no verão) passa por uma região de água mais fria, o que faz com que o ar atinja o ponto de saturação e inicie a condensação. Como curiosidade: alguns estudos recentes apontam que a maior incidência de nevoeiros marítimos na Baía de Guanabara ocorre em eventos de maré de sizígia, nos quais há uma maior entrada de água fria na baía, vinda da região de Cabo Frio.

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Mestre do Mar Foto: Divulgação.

 

Douglas - O que são relâmpagos? Como eles se formam?

 

Iago: Uma descarga atmosférica é nada mais do que uma descarga elétrica, que vem sempre acompanhada de um trovão (estrondo) e de um relâmpago (faixa de luz). As descargas atmosféricas se formam a partir de um campo elétrico intenso gerado dentro de uma nuvem cumulonimbus (mais comum) ou entre as nuvens e o solo. Elas ocorrem no momento em que o ar não consegue mais conter o fluxo de cargas, o que é chamado, tecnicamente, de rompimento da rigidez dielétrica do ar.

 

Douglas - Estando no mar, caso sejamos pegos por uma tempestade de raios, qual é a melhor (ou menos pior) alternativa para se proteger?

Iago: O mar é um dos lugares mais perigosos para se estar em eventos de descargas atmosféricas, pois a água é excelente condutora de eletricidade. Além disso, os raios “procuram” pontos mais altos, nos quais a distância para as nuvens é menor, ou seja, um barco ou canoa tendem a atrair mais descargas no mar aberto.

Douglas - Usamos remos de fibra de carbono, alumínio e madeira. Quais desses materiais atrai mais raio? A fibra da canoa é isolante como um pneu de carro?


Iago: O Carbono e o alumínio atrai mais raios por ser melhor condutor de eletricidade. A fibra da canoa, apesar de isolante, não tem capacidade de proteger contra descargas atmosféricas. Com relação aos carros, não é o pneu que protege os veículos das descargas atmosféricas. O que ocorre é um fenômeno chamado “gaiola de Faraday”, que consiste no fato de que um material de casca condutora (lataria) concentra toda a carga na sua camada exterior, fazendo com que o campo elétrico no interior da casca (interior do carro) seja nulo, protegendo os passageiros. Esse fenômeno é improvável numa canoa.

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Mestre do Mar Foto: Divulgação.

 

Douglas - Quais os principais fatores que devemos observar para minimizarmos o risco de ser pego "de surpresa" por esses fenômenos? Pressão atmosférica? Temperatura?

 

Iago: As pistas variam de acordo com o fenômeno. Uma frente fria, por exemplo, é precedida de um aumento da temperatura do ar, chamado de aquecimento pré-frontal. Numa série de dias quentes, aquele que precede a entrada de uma frente fria apresenta uma temperatura máxima um pouco maior que as demais. Já na chegada da frente, geralmente identifica-se uma redução na pressão atmosférica e a virada do vento de quadrante norte para quadrante sul, passando pelo famoso sudoeste. 

As tempestades típicas de verão não são tão fáceis de detectar, mas ocorrem sempre em dias quentes e úmidos, geralmente no final da tarde. Nesse caso a percepção é mais visual, pela formação de nuvens cumulonimbus no horizonte.

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Mestre do Mar Foto: Divulgação.

 

Douglas - Quais os sites ou locais mais confiáveis para analisarmos as previsões do tempo?

 

Iago: Os sites mais confiáveis são os de instituições dedicadas à previsão do tempo da nossa região, como o Alerta Rio, da prefeitura do Rio (www.alertario.rio.rj.gov.br), e outros de âmbito nacional como o Centro de Hidrografia da Marinha (CHM; www.marinha.mil.br/chm), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET; www.inmet.gov.br) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC; www.cptec.inpe.br).

 

Douglas - Se estivermos em uma praia deserta como acontece muitas vezes com quem faz expedições e travessias, onde seria o melhor lugar para se proteger das descargas elétricas?


Iago: Em praias desertas, na ausência de cavernas e abrigos, a medida recomendada é ajoelhar-se e curvar-se para a frente, com as mãos nos joelhos, a cabeça entre eles, sem deitar no chão. É importante lembrar que árvores devem ser evitadas, e deve-se ficar o mais longe possível do mar.

 

Douglas - Poderia deixar um alô para os nossos amigos leitores?


Iago: Fala, galera! Assim como a maioria de vocês, sou apaixonado por esportes e atividades aquáticas e ao ar livre, e tento juntar sempre um pouquinho do meu estudo com a prática. Se respeitarmos a natureza e aprendermos a entrar em total sintonia com ela, estaremos prontos para extrair o melhor de cada atividade. Vamos em frente, sempre no espírito Va’a!

 

Mahalo!

 

 

Iago Alvarenga e Silva

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Mestre em Meteorologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Meteorologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

 

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