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SUP Dicas
Blocos de SUP
Por Gustavo Costa em 05/04/16
Conheça as principais características e peculiaridades desse componente das pranchas de SUP, que exerce influência direta em itens fundamentais como peso e resistência.
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O bloco é considerado a "alma" da prancha de SUP tamanha sua importância na concepção do equipamento. Foto: Reprodução.

 

Em 1980 meu pai, senhor Hailton Costa, fundou no estado da Bahia uma empresa que atuava no ramo de Pré-moldados de Concreto, onde tinha como produto principal a laje pré-moldada com lajota de Cerâmica. Após visitar a Batimat, feira internacional da construção realizada em Paris, no ano de 1994, ele observou que o uso do EPS (Expanded Polystyrene System ou, em português poliestireno expandido) mais conhecido no Brasil pela marca Isopor, estava sendo bastante difundido mundo afora, e que a tendência era se usar cada vez mais como elemento de enchimento nas lajes, uma excelente solução em isolamentos térmicos e acústicos, dentre outras diversas utilidades. A partir daí, substituímos as lajotas de cerâmica das lajes pré-moldadas pelo EPS, o que teve excelente aceitação no mercado.

Com o aumento da demanda do EPS para construção civil, montamos a primeira fábrica de EPS na Bahia e, em 1998, inauguramos nossa planta, onde produzíamos o bloco bruto e cortávamos de acordo com a necessidade do cliente.

Como sempre fui fissurado pelos esportes de prancha, logo veio a ideia de produzir um EPS com maior densidade para ser utilizado na fabricação de blocos para pranchas de surf e kitesurf. Começamos a produzi-los em 2004. Foram realizados inúmeros testes nos mais variados tipos de prancha, e hoje junto com um grande fabricante mundial do polímero, uma das matérias-primas para a produção do EPS, conseguimos desenvolver um bloco específico para pranchas, com ótima relação peso x resistência.

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Um bloco com mais qualidade garante uma prancha mais leve e resistente, além de facilitar, e muito, a vida do shaper. Foto: Reprodução.

A Partir de 2010 iniciou-se a febre de SUP, e o bloco de EPS caiu como uma luva para a fabricação desse tipo de prancha, principalmente por conta de seu peso, muito mais leve do que os blocos feitos de poliuretano tradicionalmente utilizados em pranchas de surf. Além disso, o EPS é tão ou mais resistente do que o poliuretano e, assim, foi automaticamente inserido como material oficial na fabricação de blocos para stand up paddle.

A única desvantagem do EPS era em relação à rápida absorção de água, o que poderia ser um problema para quem avariava seu SUP na água. A prancha encharcava rapidamente e, consequentemente, ganhava peso. No entanto, ao contrário do poliuretano, que absorvia água como uma esponja, no caso do EPS, essa água corria por entre as pérolas expandidas do poliestireno. Resolver essa questão era, no entanto, importante.

Felizmente, com o aumento das pesquisas e da própria demanda criada pelo mercado do surf, esse problema está praticamente resolvido. Hoje trabalhamos com um novo polímero em que as micropérolas são fundidas de tal forma que formam uma “bucha” e reduzem em quase 100% os caminhos entre elas, por onde a água circulava.

A densidade do EPS também é importante e esse é um item que merece atenção por parte dos praticantes de SUP. Quanto maior a densidade, maior a resistência do bloco, porém, mais pesada e cara fica a espuma, e com menos flutuação também. Essa densidade é classificada por composições que variam de 1 a 7, ou seja, de 10 kg/m³ até 32,50 kg/m³. Por isso, quanto maior o SUP, menos denso tem que ser o EPS, pois a espuma influencia diretamente no peso final das pranchas.

No caso de stand ups maiores, torna-se muito importante um acabamento reforçado, razão pela qual grande parte das pranchas de race, durante sua fabricação, recebem camadas de fibra de carbono e/ou materiais mais resistentes e leves como o bambu, juntamente com a resina epóxi durante a laminação. Além disso, esses materiais não permitem que as pranchas tornem-se muito flexíveis, outra característica da espuma com pouca densidade.

No caso das pranchas de wave mais comuns, que normalmente atingem um tamanho máximo de 9 pés, se utiliza um EPS com densidade do tipo 4 e 5, ou seja de 18 a 22 kg/m³. Já nas pranchas de fun race, que têm tamanho entre 10 e 11 pés, se utiliza em geral EPS do tipo 3 e 4 (densidade entre 14 e 18 kg/m³), e nas races acima de 12’’, se utiliza o EPS do tipo 1 e 2, com densidade entre 10 e 12 kg/m³.

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As "pérolas" que são matéria-prima responsável pela produção de EPS irão ganhar forma para se transformar em poliestireno. Produzir pérolas de qualidade é um dos segredos de um bom bloco. Foto: Reprodução.

Vale ressaltar que o EPS tem a grande vantagem em relação ao poliuretano, pois ele é 100% reciclável, sendo toda sobra de espumas utilizadas em pranchas, embalagens de eletrodomésticos ou na construção civil, por exemplo, facilmente reaproveitada no processo produtivo, e utilizada no EPS das lajes, ao contrário do poliuretano, cujo custo de reciclagem é altíssimo.

Uma curiosidade sobre o processo de reciclagem do EPS é que ele pode ser perfeitamente utilizado na construção civil, por exemplo. Porém, no caso da fabricação de pranchas, ele deve ser puro.

Tendo como principais características a leveza e a resistência, não são poucos os que acreditam que o EPS será por muito tempo o material mais utilizado na fabricação de blocos para pranchas de SUP. Pra mim é bem gratificante trabalhar na busca do melhor EPS para o segmento das pranchas, e testar o material que fabrico nas horas vagas, seja no kitewave, surf e principalmente no SUP, esporte pelo qual sou apaixonado, nas mais diversas modalidades, como race, wave, long distance e fishing.

Gostou das dicas? Então, saiba mais e confira nossa página SUP Dicas clicando aqui.

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